“As sete profissões que a inteligência artificial não poderá substituir, segundo Bill Gates” . Essa chamada me deixou curioso e fui logo ler para ver do que se tratava. O texto é de Lucas Rebello do site Mistérios do Mundo.
Bom, fiquei na expectativa de conhecer quais profissões seriam essas, considerando que hoje em dia muitas das atividades humanas podem ser substituídas por máquinas e inteligências artificiais, pois robôs já fazem faxina, dirigem carros, fazem contas, respondem perguntas, elaboram apresentações e redigem documentos, criam imagens, vídeos, escrevem poesias, produzem músicas e clipes, codificam sistemas, e muito mais.
Mas, segundo o autor da matéria, o que veio de Bill Gates foi que “habilidades como empatia, criatividade e capacidade de tomar decisões complexas são exclusivamente humanas - e é isso que garantirá a relevância de certas carreiras no futuro” .
Daí o texto discorre sobre áreas, não carreiras, abordando Programação, Biologia, Pesquisa em Inteligência Artificial, Medicina, Direito, Educação e Energia sustentável. E o que prevalece para todas elas é a necessidade de empatia, criatividade, etc etc. Portanto, não são profissões, são atitudes.
Bill Gates vai além, ele não vê as IAs como uma ameaça, e sim como uma ferramenta para ampliar as capacidades humanas. E na verdade é isso mesmo, desde o início dos tempos os humanos procuram potencializar suas capacidades, sejam físicas, sensoriais ou mentais.
Por outro lado, há quem pense que chegará um momento em que o humano nada terá a fazer, pois as máquinas farão tudo. Então, supondo que essa seja uma possibilidade, o que aconteceria com as pessoas, ficariam desocupadas?
Seria esse o futuro dos humanos? Será que as máquinas poderiam tomar decisões próprias? Se este texto que estou escrevendo fosse escrito por uma máquina, ela o faria de livre e espontânea vontade ou alguém teria que provocá-la para que o fizesse? Essa é a questão. Veja o que pensam alguns especialistas sobre esse tema.
Ray Kurzweil, um inventor, cientista da computação, futurista e escritor norte-americano, prevê que a humanidade atingirá a singularidade tecnológica até 2030, um momento em que a inteligência artificial superaria a capacidade humana e permitiria avanços como a imortalidade digital.
Segundo ele, a integração entre humanos e máquinas poderá expandir nossa consciência e habilidades cognitivas. E isso poderia causar uma verdadeira revolução na forma como interagimos com o mundo e uns com os outros.
A expansão do horizonte de consciência por exemplo, poderia nos levar a uma percepção mais ampla da realidade, permitindo uma compreensão mais holística da existência e da interconectividade entre todas as coisas. A mente humana poderia acessar níveis mais profundos de imaginação e criatividade, resultando em expressões artísticas e filosóficas inovadoras e surpreendentes.
Já, Yuval Noah Harari, um historiador, filósofo e escritor israelense, conhecido por seus best-sellers que exploram a história da humanidade e o impacto da tecnologia no futuro, acredita que o Big Data e a IA transformarão completamente a sociedade. Em seu livro Homo Deus, ele sugere que algoritmos poderão tomar decisões melhores do que os humanos em áreas como saúde e economia, redefinindo o conceito de livre-arbítrio.
Ele vai além, sugere que as pessoas poderão perder o controle sobre suas próprias vidas. Nessa linha de pensamento sem autonomia, os humanos podem se tornar dependentes de sistemas que sabem mais sobre eles do que eles mesmos, e isso poderia afetar desde escolhas pessoais - como relacionamentos e carreiras - até decisões políticas e econômicas.
Se, por um lado, a IA pode ampliar nossas capacidades e levar a novas formas de criatividade e consciência, por outro, também pode nos afastar do controle sobre nossas próprias vidas. O que se destaca é que, independentemente da direção que tomarmos, a essência humana (nossa empatia, criatividade e capacidade de decisão), aparentemente, permanece como um elemento indispensável.
Se soubermos então equilibrar o avanço tecnológico com valores que protejam nossa autonomia e identidade, talvez poderemos moldar um futuro onde as máquinas sejam aliadas, e não substitutas.
Ao que parece, não é se a IA substituirá os humanos, mas sim como escolheremos integrar essas tecnologias ao nosso dia a dia. O futuro não será apenas resultado das máquinas, mas, sem dúvida, das decisões que tomamos hoje.
