Opinião

O agronegócio corre riscos

Somos realmente dependentes da Rússia? Existem alternativas? Por que o Brasil não produz o seu próprio fertilizante?

Walter Roque Gonçalves*
18/03/22 às 18h19

A falta de fertilizantes para enriquecer o solo do cerrado brasileiro “chega a ser uma questão de segurança nacional e alimentar”. É o que diz José Carlos Polidoro, da Embrapa Solos, em artigo publicado no G1, pela BBC, em 03/03/2022.

A segurança alimentar está relacionada à garantia da disponibilidade e acesso aos alimentos e o combate à fome. Por que três letrinhas NPK (Nitrogênio, Fósforo e Potássio) fazem a diferença para o agro nacional? Somos realmente dependentes da Rússia? Existem alternativas? Por que o Brasil não produz o seu próprio fertilizante?

Polidoro, pesquisador da Embrapa, explica que o solo brasileiro em geral é naturalmente pobre em nutrientes, diferente de regiões férteis do hemisfério Norte, como Europa e Estados Unidos. Principalmente quando se trata do Cerrado. A soja, milho, cana-de-açúcar e o algodão absorvem 90% do disponível no Brasil, salienta o pesquisador.

O iminente desabastecimento de fertilizantes e o possível aumento dos custos destes para o produtor, desenha o quadro de grandes desafios para o agronegócio nacional e para a economia do país.

Segundo os especialistas, a falta de foco no setor de produção de fertilizantes no Brasil, apoiada pela falsa segurança de disponibilidade do insumo no mercado internacional, nos colocou na situação em que vivemos hoje. Segundo a Embrapa, “o Brasil tem 40 jazidas de potássio subexploradas no Brasil e nenhuma delas está em terras indígenas”.

Soma-se a este fato a saída da Petrobras do setor de fertilizantes, devido aos escândalos de corrupção, isso fragilizou ainda mais o setor. Com isso, houve privatização das indústrias para empresas americanas e russas e a produção ainda não está a pleno vapor.

Um outro fator é o gás natural, essencial para a produção de fertilizantes. O Brasil tem o insumo em abundância, mas não é capaz de escoar a produção das plataformas de petróleo para o continente. 

Transformar 40 anos de negligência nas políticas no setor de fertilizantes em prioridade para o País não é algo que se faz em uma canetada. A próxima safra começa em outubro e soluções a curto, médio e longo prazo precisam ser tomadas. A primeira delas é buscar outros fornecedores como: China, Marrocos, Canadá e Estados Unidos. Acelerar a exploração das jazidas de potássio disponíveis, sem mexer com as reservas indígenas. E, correr atrás do prejuízo estratégico gerado por quatro décadas de falta de foco no setor, que coloca hoje em risco a segurança nacional e alimentar do país.

(Foto: arquivo pessoal)

*Walter Roque Gonçalves é professor executivo FGV, consultor de resultados especializado em micro, pequenas e médias empresas.
(E-mail: walter@consultoriajk.com.br )

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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