Opinião

Os primeiros mil dias na alimentação da criança

Podemos, então, por fim ao equívoco de que ir à escola deixa seu filho mais doente

Lívia Bernardes Rodrigues* - Hojemais Araçatuba 
12/05/19 às 13h47

A alimentação infantil é sempre um tema cheio de incertezas. Isso por que quando um bebê nasce a insegurança toma conta das famílias e, um dos temas que quase sempre está por trás disso, é a alimentação.
Até o sexto mês, a alimentação do bebê deve contemplar - exclusivamente - o leite materno.

Completo para o bebê, a OMS (Organização Mundial da Saúde) incentiva a amamentação, uma vez que é nessa fase da vida que a criança formará sua imunidade, além de garantir nutrientes necessários ao seu desenvolvimento. Ao completar seis meses é necessário, então, complementar a alimentação do bebê.

Diferentemente do trivial, atualmente recomenda-se não ofertar alimentos misturados, triturados e/ou liquidificados - as famosas papas. Isso porque a oferta dos alimentos em papas dificulta o reconhecimento das características dos alimentos pelas crianças, como textura, sabor, aroma. Os alimentos devem ser separados e sem temperos, para auxiliar na construção do paladar da criança.

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A alimentação deve caminhar sem adição de açúcar ou sal até os primeiros mil dias de vida (2 anos de idade) a fim de desenvolver o paladar saudavelmente. Entretanto, no meio do caminho desses primeiros mil dias da criança está a inserção na escola, que para ela é o primeiro ambiente fora da família.

Esse contato com a escola normalmente expõe a criança a alimentos que, até então, não faziam parte de suas refeições diárias, o que pode gerar rejeição por determinados alimentos e atração por outros. Sabendo disso, é preciso fazer escolhas assertivas quando o assunto é montar a lancheira. O primeiro passo é optar sempre que possível por alimentos naturais ou in natura – são aqueles alimentos que não possuem rótulo.

Caso não seja possível evitar totalmente os industrializados, o segundo passo, então, é fazer a leitura do rótulo. Pais, fujam do ingrediente “xarope de glicose”. Esse item é capaz de reduzir a imunidade das crianças, o que faz com que elas estejam mais susceptíveis a doenças.

Podemos, então, por fim ao equívoco de que ir à escola deixa seu filho mais doente. Talvez as escolhas alimentares feitas quando se é introduzido na escola, tenham esse papel.

 

*Lívia Bernardes Rodrigues é nutricionista especialista em Educação Infantil, autora dos livros infantis “Encontro na Feira” e “Ser Semente”. 

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