Exigir a proibição daquilo que não gostamos é muito agressivo. Vamos ver?
O que, música sertaneja? Proíbe. Música clássica? É só pra velhos. Proíbe. Funk? Muita apelação. Proíbe. Rock. Aquela coisa barulhenta chamada rock? Proíbe. Jazz? Blues? Quem é que entende isso? Proíbe. Música pop? Aqueles cantores que só gritam? Proíbe.
Música ambiente? Que coisa mais chata, música sem graça. Proíbe. Reggae? Música de gente maconheira, né? Pelo amor de Deus, proíbe. Rádios tocando músicas? Melhor proibir logo. Agora na rádio só pode falar. Se bem que, melhor mesmo é proibir a rádio. Pronto. Pra que é que a gente precisa ouvir música ou ter qualquer pessoa falando na nossa orelha? Proíbe rádio.
E música evangélica? Proíbe também! Aliás, proíbe música em qualquer igreja! Absurdo cantar. Absurdo. Proibido cantar. Nem as músicas infantis. Já proíbe logo as músicas nas escolas que já é pra ninguém aprender a cantar. Chega! Que perigoso! Imaginem... Cantar?
Proíbe assobiar também. Nem assobiar melodia pode. Está proibido. Não tem mais música. Nem em teatro, nem em cinema. Quem é que ainda saí de casa pra assistir alguma coisa, né? Então, proíbe logo espetáculos no palco e nos telões.
Não pode mais ter música em nada. Nem no YouTube, hein? Nem Instagram.
Nada. Proibido. E já que estamos nessa onda de proibir, aproveito e proíbo também seriados, programas e filmes. Tutoriais, então! Proibido. Quem esse povo pensa que é pra ensinar alguma coisa pra alguém? A única coisa que poderemos cantar será o hino nacional.
Espera! Pensando bem, proíbe isso também. Melhor não deixar rastro de som, de música, de arte nenhuma. Proibido escrever livros, pintar quadros ou muros. Proibido dançar. Proibido se expressar.
Agora: o silêncio.
Agressivo, não é?