*Fernanda Luise é assessora parlamentar da deputada Marina Helou na Alesp
Moro em Araçatuba (SP) há 31 anos e conheço cada canto daqui. Atualmente, faço uma jornada dupla e me divido entre a nossa cidade e a Capital, pois trabalho no gabinete da deputada Marina Helou (Rede), na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), a maior casa de leis da América Latina.
Na última terça (3), lá ocorreram fatos no mínimo controversos ao que uma Casa Legislativa se propõe a fazer.
Estive presente durante a votação da reforma da Previdência estadual, que trata da aposentadoria dos servidores públicos de SP, e que acabou em violência generalizada. Algo que é totalmente contrário aos princípios democráticos que devem reger nossa política.
Ao sair daquele contexto ouvi muitas pessoas responsabilizando os manifestantes, reproduzindo histórias difíceis de serem verificadas, como por exemplo: insinuarem que tinham no meio pessoas treinadas para instigar a polícia.
Ouvi também pessoas descrentes com a política dizendo que as coisas nunca vão mudar e com falas carregadas de desânimo, quase que desistindo de se interessar pelo que resta da democracia no nosso País.
Vi alguns jornalistas esboçando algumas análises sobre os fatos, mas propostas reais de ação para que essa lógica da polarização acabe, vi muito poucas.
Diante de tudo isso, nós do gabinete, junto com a deputada Marina Helou, que está de licença maternidade, mas que segue atenta a tudo o que acontece na casa, começamos a discutir entre nós e pesquisar quais eram as saídas para uma situação como essa.
Não serve de nada fazer críticas vazias à ação policial ou tentar imputar aos manifestantes a responsabilidade de toda a confusão, afinal de contas, uns estavam cumprindo ordens e outros reivindicando seus direitos.
É muito comum ver manifestantes ocuparem os corredores e plenários da Assembleia Legislativa em épocas de votações acaloradas. No dia a dia, também é bastante comum ver pessoas entrando nos gabinetes para conversar a respeito do voto do deputado com o próprio parlamentar, ou com a assessoria e particularmente acho isso uma bela prática.
O último recurso do cidadão é a pressão política, a participação e controle social por meio dos conselhos, dos sindicatos e associações que participam. Eu mesma já conversei com pessoas que queriam saber a posição da deputada.
Tudo isso faz parte da democracia. Participação e controle social. É o que temos que defender. Acontece que o batalhão de polícia de choque foi chamado e nada disso ocorreu.
Como cidadã e moradora de Araçatuba, me sinto no dever de trazer este debate para nossa região, de forma propositiva. O que podemos fazer para que aquela triste terça-feira não se repita? Fico feliz em dizer que trabalho no gabinete de uma deputada que prioriza essa pauta e que busca dialogar com a sociedade civil e com a própria polícia em busca de soluções e que nossa região está representada no parlamento.
*O texto reflete a opinião do autor.
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