Nunca gostei e não costumo falar de pessoas, muito menos se for para falar mal, mas me sinto na obrigação de esclarecer a quem não me conhece, o motivo da invasão das redes sociais do Hojemais Araçatuba com postagens de matérias falsas, feitas entre o final da noite de sexta-feira até o início da manhã de sábado.
O responsável pela invasão é o hacker Patrick César da Silva Brito, que é de Araçatuba, mas está na Sérvia desde 2021. Ele foi preso em dezembro de 2022, por força de mandado de prisão expedido pela Justiça de Araçatuba, mas como a extradição não foi autorizada até dezembro de 2023, ele ganhou a liberdade, pois o crime pelo qual ele é investigado nesse processo não ocorreu naquele país.
Primeiro de tudo, quero deixar claro que não conheço, nunca vi, não sei nada a respeito dele e pessoalmente não tenho nada contra ele. O que sei e o que publico com relação a ele, é o que que faz parte do meu trabalho como jornalista. Aliás, se tem uma coisa que me orgulho na minha vida é de como realizo meu trabalho.
Eu primo pela ética, pelo respeito e, como jornalista, sei da responsabilidade que tenho, por estar tratando da vida de outras pessoas. E para mim, fazer jornalismo não é apenas contar histórias, é contar histórias que ajudem a fazer a justiça. Acredito que tenho trabalhado de forma correta. São 21 anos de jornalismo, com produção diária e podem conferir quantos processos foram movidos contra mim e quantas condenações ocorreram.
É isso o que fiz com relação a todas as publicações feitas até hoje por mim no site Hojemais Araçatuba com relação ao hacker. Faço publicações desde que ele foi detido ainda em janeiro de 2021, e confessou à polícia os crimes de invasão de dispositivos e de extorsão; da prisão dele; e da liberdade concedida a ele. Outros veículos de comunicação fizeram o mesmo. Em todas as ocasiões fiz contato com as defesas dele, informando sobre as publicações e ouvindo o outro lado, como presa o bom jornalismo.
Após deixar a prisão, enquanto aguarda o julgamento sobre recurso contra a decisão que autorizou a extradição para o Brasil, o hacker prestou depoimentos por meio de videoconferência e deu entrevistas a diversos veículos de comunicação, confessando vários desses crimes. Publiquei o que entendi que tinha relação com Araçatuba, sem a necessidade de ouvir a defesa dele, já que ele se declarou publicamente.
Até então, não havia tido nenhum tipo de contato com ele. Até que no início de abril de 2024, ele encaminhou um vídeo no aplicativo do WhatsApp do meu celular, ameaçando me processar caso eu publicasse alguma matéria relacionada ao então vereador Dunga, que estaria sendo vítima de tentativa de extorsão por parte dele.
Eu não tinha conhecimento sobre o assunto, fiz contato com Dunga e ele me confirmou que estava sendo vítima de tentativa de extorsão por parte de Patrick e que inclusive havia registrado um boletim de ocorrência denunciando o caso. Como jornalista, sabendo da informação de que uma pessoa pública, como um vereador, estava sendo alvo de um crime, minha obrigação é divulgar. E foi o que fiz.
A partir daí, tiveram início as perseguições. No dia seguinte recebi outro vídeo enviado por ele, de visualização única, no qual ele deleta meu Facebook pessoal. Antes, vem o texto: “Só estou começando. Aguarda aí que daqui a pouco vem outro. E aguarda o processo, vou pedir direito de resposta uma a uma das suas publicações. Se é que seu site vai ficar no ar até lá” .
Nesse mesmo período eu percebi que perdi o acesso ao meu e-mail particular, o qual mantinha havia muitos anos, mas usava apenas pessoalmente. Pra deixar claro, nunca respondi nenhuma das mensagens. Como preciso de uma página no Facebook para fazer postagens de matérias nas redes do Hojemais Araçatuba, fiz outras páginas pessoais, já que desde então, do nada eu perdia o acesso a elas.
Ao ser surpreendido pelas postagens falsas feitas nas redes sociais do Hojemais Araçatuba a partir da noite de sexta-feira, notei que elas eram postadas por meio de uma das páginas pessoais minha no Facebook. Foram tomadas as medidas para impedir tais publicações e, no início da manhã de sexta-feira, recebi três mensagens de áudio enviadas por ele.
Nelas, ele informa que essa invasão havia sido apenas o começo, emite vários xingamentos, e por fim, profere ameaças contra a minha integridade física, afirmando que mandou pessoas para me espancarem na saída do jornal, acrescentando que se fosse em outro local, já teria me matado.
Não satisfeito, ele deu início a publicações de vídeos, confirmando que está de posse do meu Facebook e do meu e-mail invadidos e informa minhas senhas pessoais e contatos. O último, na noite de sábado, chegou junto com a mensagem: “Hacker entrega Lázaro ”. Uma hora depois, ele envia outras duas mensagens: “os próximos serão mais intensos para você” . “eu pretendo escalar muito” .
Apenas um dos vídeos foi enviado diretamente para mim, o que demonstra que ele conta com o auxílio de outras pessoas na cidade para propagar tais vídeos por meio de grupos. Sei que tem várias pessoas que o auxiliam e sei também, inclusive, que há colega da imprensa que o defende e até o auxiliaria nas práticas dele. Não cabe a mim julgar.
O que posso dizer é que continuarei fazendo o meu trabalho da mesma forma, como sempre fiz, sabendo que ele continuará me perseguindo enquanto as autoridades não tomarem as medidas que sejam necessárias para impedir que ele continue fazendo vítimas. E quanto às informações divulgadas por ele nos vídeos, quem me conhece sabe que não preciso explicar nada.
E caso perguntem se preciso de algo, preciso que me ajudem a tomar de volta as minhas redes sociais e meu e-mail pessoal, que são meus e foram roubados por ele, que irá responder por mais esse crime.
