AO VIVO
Geral

Brasileira de 2 anos com condição rara faz tratamento para remover mancha no rosto

O tratamento é realizado na Rússia e os pais vendem bonecas de pano para conseguir pagar as despesas das viagens

Da Redação
11/02/21 às 11h48
Luna na UTI (Arquivo pessoal)

A história de superação da pequena Luna, que completará 2 anos no dia 7 de março, começou ainda na barriga da mãe, a publicitária de Brasília, Carolina Fenner, 37 anos. Ela foi diagnosticada com câncer poucos meses antes de engravidar. Após uma gestação de risco, ela e o marido, o fotógrafo carioca Thiago Tavares, 34 anos, descobriram que a filha possui Nevus, uma condição rara, caracterizada por uma mancha profunda e escura na pele.

Além do bullying diário, o Nevus também causa melanomas, isto é, câncer de pele. Por causa disso, desde o ano passado, a família, que mora na Flórida, Estados Unidos, deu início a incansáveis campanhas e venda de produtos para arcar com o tratamento, que custa o equivalente a mais de R$ 600 mil. Luna iniciou uma série de cirurgias para remover a mancha em outubro do ano passado e, se tudo der certo, finaliza o procedimento em outubro deste ano.

 Em depoimento à CRESCER, Carolina relembrou a história de Luna; falou da luta para chegar a um diagnóstico, encontrar um tratamento menos agressivo e sobre os constantes ataques de ódio que recebe no Instagram (@luna.love.hope), onde compartilha a rotina com a filha.

"Tive uma gravidez bem difícil. Poucos meses antes de engravidar, fui diagnosticada com um tumor no fígado. Na época, já morava nos Estados Unidos e voltei ao Brasil para fazer exames. Segundo o médico, o anticoncepcional era um hormônio que estava 'alimentando' esse tumor e me orintou a deixar de tomar na tentativa de cessar o crescimento desse tumor. O objetivo era evitar a cirurgia. Ele disse também que não era para que me preocupar, pois, segundo meus exames, as chances de eu engravidar eram quase zero. No entanto, seis meses depois, eu estava grávida. Liguei imediatamente e ele disse que uma gestação naquele momento, seria um problema, pois os hormônios da gravidez iriam aumentar o meu tumor.

Felizmente, alguns meses depois, eu refiz os exames e descobri que o tumor havia diminuído de tamanho. Era a Luna já trabalhando alguns milagres! O médico ficou surpreso e disse que nunca, em toda a carreira dele, tinha visto um caso em que os hormônios, principalmente da gravidez, tinham diminuído um tumor como esse. Mesmo assim, a gravidez foi complicada: minha diabetes descontrolou, tive muitos sangramentos e precisei ficar em repouso praticamente a gravidez inteira. Apesar das complicações, todos os ultrassons indicavam que estava tudo bem com o bebê. Um mês antes do parto, fiz um ultrassom 4D e Luna estava perfeita.

Em uma consulta de rotina com 37 semanas, descobrimos que minha diabetes estava descontrolada e a glicemia muito alta. O médico, então, mandou eu ir para o hospital imediatamente, caso contrário, Luna poderia morrer. Corremos pra lá e o parto foi induzido. Aqui, nos Estados Unidos, eles não fazem cesárea, a não ser que o bebê esteja entrando em sofrimento ou a mãe correndo risco de morrer. Foram 49 horas em trabalho de parto, gritando de dor. Tive que tomar duas anestesias epidurais, pois apenas uma não deu conta. Foi terror e pânico! Então, depois dessas 49 horas, a Luna nasceu. 

Nesse momento, foi outro susto! Ela nasceu com o rostinho preto e ninguém sabia o que era. Tenho apenas uma foto do nascimento e nela eu apareço com a cara assustada, olhando pra ela... Eu achava que era sujeira do parto, o médico disse que não sabia o que poderia ser. Então, depois de alguns minutos, veio uma mulher do hospital e me disse: 'Mamãe, você tem que estar preparada para um câncer'. Foi tudo muito chocante! Tanto a gravidez quanto o parto. Luna ficou iternada na UTI por 7 dias e ninguém sabia que se tratava de Nevus. Logo na primeira semana, já comecei a pesquisar muito na internet, conversei com muitos médicos, visitava a Luna toda hora na UTI e ninguém me falava o que era... Eu só chorava!

O diagnóstico

Depois que ela nasceu, começamos a visitar todos os melhores médicos dos Estados Unidos. Fomos para Chicago, Boston, Nova York, Flórida... e cada médico falava uma coisa. O Nevus é uma marca, uma mancha de nascença muito profunda na pele. Uns indicavam cirurgia por fatores estéticos, outros por questões de saúde, pois há a possibilidade de virar um câncer. Ainda há os que não indicam cirurgia. A gente não sabia o que fazer até que, um dia, fomos a uma igreja. Luna tinha cerca de 2 meses. Nesse dia, uma menininha perguntou para a mãe o que era aquilo no rosto da Luna. A mãe olhou para a gente, assustada, e disse: 'Meu Deus, é um monstro! Para de olhar pra ela, que bicho mais feio'. Essa foi a primeira situação de bullying que passamos. Eu chorei muito, queria bater na mulher e meu marido me segurou... Nesse dia, decidimos ir atrás da cirurgia, a princípio, por fatores estéticos. Encontramos um médico de Nova York, mas ele não aceitava o plano de saúde da Luna e o tratamento custaria US$ 450 mil. Sabíamos que, mesmo com campanhas e doações, nunca conseguiríamos esse dinheiro. Então, decidimos parar, pensar e curtir um pouco mais a Luna.

Tratamento na Rússia

Foi quando um médico oncologista da Rússia nos ligou. Ele disse que viu uma reportagem sobre ela e comentou que tinha a solução. Seriam 2 anos de cirurgia e um método menos agressivo. Depois de alguns dias, fui para a Rússia com ela, conversar e ouvir a opinião dele. Já nessa primeira consulta, ele fez um mapeamento do corpo de Luna, pois ela tem outras manchas pequenas pelo corpo, e pediu a biópsia de algumas que ele achou perigosas. Alguns dias mais tarde, veio o resultado indicado que ela já tinha três melanomas, isto é, câncer maligno de pele. Naquele momento, resolvemos fazer as cirurgias pelo fator saúde, nosso objetivo deixou de ser estético.

Também decidimos que Luna faria os procedimentos com o médico russo, afinal, ele descobriu os melanomas que nenhum dos onze médicos anteriores tinham descoberto nos Estados Unidos. Além disso, lá, o tratamento custaria U$ 120 mil. Então, resolvemos aquecer as campanhas de doações, fazer eventos e vender bonequinhas com a manchinha da Luna. Em dois meses, conseguimos U$ 60 mil. O médico concordou receber o restante no final do tratamento. 

Desde outubro de 2020, Luna já fez três cirurgia e removeu manchas na testa, nariz, bochecha e parte dos olhos, que é feito aos poucos, pois é uma área muito sensivel. Na cirurgia, o médico usa uma espécie de laser para remover o Nevus. Só que como a mancha é muito profunda, fica uma espécie de buraco. A grosso modo, ele tira as raízas do Nevus que poderiam causar um câncer futuro. Ela fica, então, dez dias com curativo e, após esse prazo, ele conclui com um enxerto. Acredito que ela ainda deve passar por três ou quatro cirurgias. O médico acredita que é melhor remover completamente a mancha para zerar as chances de um câncer e pelo fato de ela ainda ser bebê, pois a recuperação costuma ser mais rápida.

* SABRINA ONGARATTO, Revista Crescer  
   

Luna (Arquivo pessoal)
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM GERAL
Franquia:
Três Lagoas MS
Franqueado:
Empresa Jornalística e Editora Hojemais Ltda.
01.423.143/0001-79
Editor responsável:
WESLEY MENDONÇA SRTE/SP46357
atendimento@agitta.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.