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Vai ter mulher fazendo ciência, sim!

Pode parecer que uma cientista é uma pessoa inatingível, mas as cientistas estão mais perto do que a gente pensa, conheça umas das pesquisadores três-lagoense 

Thais Dias  - Hojemais Três Lagoas
13/02/21 às 07h17
Mulheres na ciência, a luta por reconhecimento que nunca acaba (Foto:Arquivo Pessoal)

O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, comemorado em 11 de fevereiro desde 2015 após uma iniciativa da Unesco e da ONU, busca exaltar os feitos das profissionais da área e inspirar as novas gerações a participar de carreiras ligadas à ciência. 

Mas, além de exaltar a presença feminina na ciência, a data ressalta que a participação da mulher neste âmbito, além de promissora, é cada vez mais necessária. 

Marie Curie é um dos nomes de cientistas mulheres mais lembradas. Ela fez tantas descobertas sobre a radiação que o próprio termo “radioatividade” foi cunhado por ela, além de descobrir dois novos elementos da tabela periódica: o polônio e o rádio.

Quem também descobriu um novo elemento foi Lise Meitner: o protactínio. Ela ainda descobriu a fissão nuclear quando percebeu que átomos de urânio se dividiam em outros átomos ao serem bombardeados com nêutrons.

Chien-Shiung Wu, cujo nome significa 'corajosa heroína', refutou um princípio físico quando provou que o princípio de conservação de paridade, que determina que partículas simétricas devem se comportar da mesma maneira, não se aplica a todas as partículas.

Já Vera Rubin confirmou a existência de matéria escura observando a velocidade com que as estrelas giram ao redor do centro de uma galáxia.

O universo também foi objeto de estudo de Cecilia Payne, que descobriu que o Sol e as estrelas são compostos principalmente por hidrogênio e hélio, em vez de ter a mesma composição da Terra como se acreditava na época.

E, das aproximadamente 8 mil estrelas que se pode observar a olho nu no céu noturno, Annie Jump Cannon classificou 50 vezes mais esse número, tornando-se a maior “colecionadora” de estrelas que já viveu.

As mulheres também fizeram grandes descobertas no nível microscópico. Rosalind Franklin tirou fotografias do DNA que a permitiram ver que a molécula tinha uma estrutura de dupla-hélice.

Barbara McClintock descobriu a transposição genética, capacidade dos genes de mudarem de lugar no cromossomo e “ligar” e “desligar”, um fenômeno ligado a mutações genéticas e com importante papel na evolução das espécies.

Nettie Stevens descobriu que são os cromossomos X e Y que determinam o sexo de um bebê na hora da concepção, e não a temperatura do ambiente, a alimentação da mãe ou outros fatores externos como se acreditou por muito tempo.

Estas mulheres são apenas alguns exemplos dentre tantos outros que provam que não há limites para uma cientista. Pode parecer que uma cientista é uma pessoa inatingível, mas as cientistas estão mais perto do que a gente.

Ciência é para todas, não precisa ser gênio (Foto:Arquivo Pessoal)

É o caso de Liliane Camargos, que é coordenadora do grupo de pesquisa em Fitorremediação na Unesp de Ilha Solteira, e tem como objeto de pesquisa avaliar o potencial de uso de plantas nativas para a limpeza de solos contaminados por metais pesados, processo chamado de fitorremediação. “Para isso, a gente avalia como o metabolismo dessas plantas é afetado pela presença destes metais, se ocorrem danos na fotossíntese, se o crescimento é afetado, se esses metais são absorvidos por elas e onde eles vão parar (se ficam na raiz, nas folhas, etc).

Também atua coordenando as ações do Núcleo de Apoio e Discussão de Gênero e Sexualidade (NUGENS), com ações dentro e fora da Unesp para dar visibilidade às questões que envolvem as mulheres e as diferentes intersecções de gênero. “Dentre as nossas ações, podemos destacar o projeto que conduzimos com alunos do ensino médio para discutir os estereótipos ligados a atuação das mulheres nas ciências; outro projeto que é legal destacarmos é o ‘Mulheres em tela’ onde produzimos vídeos contando as histórias de vida e de carreira das pesquisadoras mulheres que atuam dentro da Unesp”. Disse.

Além das pesquisas, Liliane encoraja meninas a adentrarem no universo da ciência, “ Historicamente o papel das mulheres na ciência foi apagado. Um exemplo disso, e que pouca gente sabe, é que os cálculos que levaram Einstein a desenvolver sua teoria foram todos feitos pela esposa dele (e ela nunca levou o crédito); outro bom exemplo é quando foram atribuir o prêmio Nobel para Marie Curie, a intenção era premiar o marido dela (achavam que o mérito era dele), e foi ele que defendeu que ela devia ser premiada pois a pesquisa era dela.

“Lugar de mulher é onde ela quiser. Não existe uma área da ciência que não seja apropriada para as mulheres. Todo mundo nasce cientista, e não podemos deixar que o machismo e a misoginia estabeleçam os lugares que devemos ocupar”, 

Dentro das universidades, as mulheres enfrentam desafios enormes para se manterem na carreira: são raras as instituições que fornecem apoio para alunas mães; em algumas áreas mulheres são ‘raridade’ (é o caso das engenharias, por exemplo); é muito difícil encontrarmos mulheres ocupando cargos de liderança, e isso vem sempre disfarçado de cuidado, uma clara conduta misógina.  

Vou dar um exemplo: na faculdade que trabalho, o número de mulheres que orientam nos cursos de doutorado são apenas 22, de um total de 112 professores

Desta forma, mostrar para as meninas, desde cedo, que ciência é coisa de mulher e que mulher pode atuar em qualquer área que quiser é um primeiro passo para que elas se sintam fortalecidas e consigam romper com os estereótipos de gênero” 

Para a cientista, a participação feminina na ciência traz soluções diferentes para os estudos. 

“Eu diria que diversidade na ciência traz novos olhares para os estudos. Quando você trabalha em um grupo homogêneo, onde a maioria são homens brancos cisgênero, cenário que predomina no meio acadêmico, você vai ter sempre pontos de vista similares. Se você dá oportunidade para a inserção de mulheres, pessoas periféricas, homoafetivas, pretos, você terá inúmeras perspectivas sobre os problemas que estão sendo apresentados. Além disso, a gente não pode perder de vista que fazer ciência é um ato político (eu costumo dizer que ‘Viver é um ato político’), então a diversidade na ciência vem para quebrar os paradigmas e mudar as perspectivas de vida, também”

Liliane deixou um recado para as meninas que queriam entrar na ciência, “Lugar de mulher é onde ela quiser. Não existe uma área da ciência que não seja apropriada para as mulheres. Todo mundo nasce cientista, e não podemos deixar que o machismo e a misoginia estabeleçam os lugares que devemos ocupar”, finalizou.


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