O prefeito de Três Lagoas, Angelo Guerreiro, falou com a imprensa sobre a operação Cambota, deflagrada na manhã desta terça-feira (12) pela Polícia Federal para investigar desvio de dinheiro público na prefeitura no biênio 2015/2016.
De acordo com o prefeito, empresários de oficinas mecânicas cobram da Prefeitura, desde janeiro deste ano, o montante de R$ 1, 6 milhão, por conta de serviços prestados. Porém, o valor não foi pago por conta de irregularidades identificadas pela atual gestão, como a ausência de Ordens de Serviços, por exemplo.
Conforme Guerreiro, equipe técnica da Prefeitura foi clara em dizer que não pagaria o valor e que os mecânicos poderiam procurar a Justiça para que a Administração pudesse ter amparo para efetuar o pagamento, já que não documentação que provasse que o serviço foi prestado por eles não foi localizada. “Identificamos que não houve empenho por parte desses mecânicos nos consertos, por isso que a situação resultou nessa operação”, destacou.
Guerreiro disse ainda que as portas da Prefeitura estão abertas para investigações e que podem acontecer novas operações para averiguar a administração anterior. “Eu volto a deixar claro que essa busca e apreensão feita pela Polícia Federal acontece em virtude do biênio 2015/2016 e não envolve a administração atual”, disse.
EXONERAÇÕES
Até o momento não foram identificados funcionários envolvidos que trabalham atualmente na Prefeitura. Porém, conforme Guerreiro, pode acontecer de alguém ter que ser ouvido pela Polícia Federal.
O prefeito informou que a sua gestão presa pela transparência, tanto que dois funcionários que atuavam no setor responsável pela mecânica foram exonerados. “Apoiamos e colaboramos com as investigações. Não temos o que esconder. É muito importante a clareza dos fatos e o culpado tem que pagar”, completou.
INVESTIGAÇÃO
A investigação aponta que, no período de 2015 a 2016, um grupo de servidores da prefeitura e empresários do ramo de oficinas teria direcionado e superfaturado contrato de manutenção da frota de veículos. Num dos casos, foi constatado superfaturamento na ordem de até 486% do valor das peças substituídas pelas oficinas mecânicas.
Conforme a PF, o prejuízo chega a R$ 800 mil. Os investigados podem responder pelos crimes de organização criminosa, estelionato qualificado, corrupção ativa e passiva. As penas somadas podem chegar a 26 anos de prisão.