AO VIVO
Política

Ex-presidente da OAB sugere que André Puccinelli pode estar sendo vítima de perseguição política

Em reflexão que postou no Facebook, ele questiona se objetivo não seria apenas tirar o ex-governador da disputa eleitoral de 2018

Hojemais - João Maria Vicente
15/11/17 às 13h21
Advogado Carlos Marques, ex-presidente da OAB-MS (Reprodução)

O ex-presidente da OAB-MS, Carlos Marques, postou em seu perfil no Facebook reflexão em que lança dúvidas sobre a imparcialidade da ação da PF que culminou com a prisão do ex-governador André Puccinelli (PMDB) na manhã de terça-feira (14), como parte da quinta fase da Operação Lama Asfáltica, chamada Papiros de lama. Para o advogado, “há algo podre no reino do Pantanal”.

A sua postagem corrobora com alguns comentários em rodas de conversas políticas, já que a prisão ocorreu exatamente na semana em que o PMDB realizaria a sua convenção estadual, tendo Puccinelli como nome de consenso para presidir o partido, marcando a sua arrancada em direção a mais uma disputa do governo do Estado. Vale lembrar que todas as pesquisas de opinião públicas sobre a disputa para o Governo em 2018 colocam o ex-governador empatado tecnicamente com o juiz aposentado Odilon de Oliveira.

SUSPEITAS

A prisão de puccinelli se deu a partir da delação premiada do pecuarista Ivanildo da Cunha Miranda, ex-operador do suposto esquema de propinas entre os anos de 2006 a 2013.

Declarando-se intrigado, a exemplo de quem ouviu as notícias da delação premiada dos sócios da JBS, Carlos Marques chama atenção para o fato de que na delação nacional aparecem planilhas de Ivanildo com ligações, segundo as alegações, com o atual Governador do Estado, Reinaldo Azambuja, não envolvendo os ex-governadores André e Zeca.

“Na delação feita pelo Ivanildo nas terras pantaneiras, ele só envolve o ex-governador André. Ele esqueceu de falar do ex-governador Zeca e do atual governador, ou a omissão foi proposital?”, questiona Marques, considerando que o fato “é muito, mas muito estranho mesmo!”.

Para o advogado, “ou a delação foi dirigida para que a Polícia Federal e a Justiça Federal de Campo Grande não perdessem a competência - já que se tiver o envolvimento do atual Governador o assunto precisa ser encaminhado de imediato ao Superior Tribunal de Justiça, e se tiver o envolvimento do ex-governador Zeca, hoje deputado federal, teria que ser remetido o assunto ao STF -, ou a delação e a operação são politiqueiras em grau máximo, visando tirar o ex-governador André da disputa eleitoral de 2018”.

E o ex-presidente da OAB prossegue: “seja verdadeira a primeira ou a segunda conclusão, o assunto fede da mesma forma, porque efetivamente terá algo muito grave e podre acontecendo nas terras pantaneiras”.

No seu entendimento, ao investigar, não pode omitir informações nem direcionar a investigação para atender seja qual for o interesse em jogo. “Pior ainda é a participação do MPF em eventual direcionamento. Por isso a OAB brigou tanto para que o MPF não investigue, já que quem será o autor da ação penal não pode investigar”, observa. “Agora, pior mesmo, é o Juiz não ter visto algo tão escancarado assim e ter deferido as medidas todas e as prisões”, completa.

Carlos Marques diz ainda que causa maior estranheza o fato de que existe um concorrente ao Governo do Estado oriundo dos quadros da magistratura, “que naturalmente deve ter interesse em ver o ex-governador André fora da disputa”. Isto, segundo ele, é mais um motivo para que todos tomem cuidados redobrados, para que não se pense mal da Justiça, “o que se sustenta, naturalmente, apenas para reflexão”.

“Como disse, são apenas reflexões. Mas que a Polícia Federal, o MPF e a Justiça Federal precisam explicar tamanha contradição, isso precisa, sob pena de darem margem à nulidade de toda a investigação, por flagrante suspeição e pela nulidade da própria delação com omissões e direcionamento, beneficiando os que precisam ser punidos pelos eventuais crimes cometidos. Com a palavra, a PF, o MPF, e a JF... Com os ouvidos atentos, o povo do MS”, conclui.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM POLÍTICA
Franquia:
Três Lagoas MS
Franqueado:
Empresa Jornalística e Editora Hojemais Ltda.
01.423.143/0001-79
Editor responsável:
WESLEY MENDONÇA SRTE/SP46357
atendimento@agitta.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.