Há cerca de dez dias, o general Antonio Hamilton Martins Mourão - secretário de economia e finanças do Exército – sugeriu, em evento promovido pela comunidade maçônica em Brasília, que o "Alto Comando do Exército" considera liderar uma nova intervenção militar caso "os Poderes não encontrem uma solução para os problemas políticos" do País.
Independentemente da polêmica que a fala do general gerou e dos debates que se arrastam até hoje Brasil afora, o fato trouxe à tona algo que talvez não fosse do total conhecimento das autoridades: há uma quantidade enorme de saudosistas do Regime Militar, que comungam da mesma opinião do general Mourão. Pelo menos é o que ficou explicita na reportagem que o Hojemais fez com alguns três-lagoenses.
O professor aposentado Ricardo Roriz, por exemplo, acha que a intervenção militar está demorando demais. Questionado se o período da Ditadura não foi ruim, ele é enfático: “Pra mim não. Eu morava no Rio de Janeiro, tinha meus 16 anos, frequentava as discotecas, tocava em uma banda de rock, voltava tarde pra casa, pescava no Arpoador até duas da madrugada e não faltava nada”. Ainda segundo ele, na época não se ouvia falar em corrupção. Afirmando que estudava em escola estadual - em sua opinião, naquela época o melhor ensino que havia era o público - diz que, “as pessoas do bem não têm por que falar mal do Governo Militar. Seria ótimo se voltasse” - finaliza.
Outro que defende a volta do regime militar sem reservas é o músico Pedro Cézero. “Demorou! O Exército Brasileiro e as nossas Forças Armadas dizem que existem para uma eventual guerra. E quer mais guerra do que essa entre irmãos e bandidos armados até os dentes com metralhadoras e fuzil - AR-15?” - questiona.
Para ele, está na hora do Exército fazer uma intervenção a favor do povo brasileiro e... “Ainda que não haja intervenção, pelo menos os militares deveriam ajudar na situação crítica do nosso país; não é possível ver gente se mantando por causa de um celular ou de um chinelo e não fazer nada”.
Sobre a ditadura militar faz uma comparação entre o número de mortos durante o regime com os que atualmente morrem por ano no Brasil. “Como falar mal de militares que só perseguiram maus elementos, pessoas que queriam desordem e trazer o comunismo?”.
O funcionário público federal aposentado da Abin e ex-vereador Amilton Aparecido disse entender que o General Mourão não está sozinho na sua manifestação, mas que houve um coro da sociedade favorável a uma intervenção, por causa do nível de corrupção que atinge hoje todos os poderes da República. “Há uma indignação muito grande, hoje, no seio da sociedade, por tudo isso; mas, eu vejo que, apesar de tudo, as instituições estão em pleno funcionamento”.
A advogada e ex-vereadora, Inêz Consuelo, foi curta e grossa: “Sou a favor da intervenção no Brasil e começar de novo”.
“Sou a favor, por um tempo determinado” - opinou o Pastor Evangélico Marcos da Paz Silva. Ele se lembra de que no Japão o primeiro-ministro irá dissolver o parlamento e fazer novas eleições e que no Brasil também precisa ser feito isso e proibir todos os que têm envolvimentos com corrupção de concorrerem. “Não temos primeiro-ministro e até o presidente está envolvido com escândalos; por isso, sou a favor” - conclui.
“Demorou [para] o Exército tomar conta do nosso país” - ponderou Laucidio Luiz Azambuja.
Mesma opinião é defendida pelo empresário Eduardo Junqueira, que disse: “Pelo momento que estamos atravessando, eu acho que talvez seja a melhor opção; sou totalmente favorável”. O ex-vereador Idevaldo Claudino também se declarou a favor: “Como ex-militar do Exército Brasileiro, penso que seria o melhor para o Brasil”. Sobre a ditadura disse ser complexo pelos objetivos... “Mas, tem-se de moralizar a administração pública nacional em todas as esferas”.
“Todos nós, brasileiros, somos a favor da democracia no Brasil. O pedido do povo por Intervenção Militar é um grito de desespero” - disse o estudante e músico água-clarense Mardoqueu Moraes, considerando que a corrupção e a imoralidade tomaram conta do atual cenário Político do Brasil. “O tempo em que o Brasil mais evoluiu foi durante o ‘milagre econômico’ - que aconteceu durante o Regime Militar”.
CONTRA
“O general está equivocado. Não é necessário o Exército à frente do comando do País. O Exército é apenas a frente de guarnições de fronteiras e do espaço aéreo contra possíveis guerras e os que queiram invadir nossa pátria amada; no demais, o País está precisando é fazer ‘um limpa’ nos políticos profissionais existentes e colocarem pessoas novas e competentes com poder e soberania democráticas que foram conquistadas com suor e sangue” - argumenta Milton Clarindo. Os partidos existentes, segundo ele, não são corruptos; a corrupção está nos políticos profissionais que fazem da política o seu meio de enriquecimento ilícito.
Totalmente contra a intervenção, o mototaxista Jonir Pedro de Souza considera que “o que está faltando é coragem ao STF para afastar todos os envolvidos em propinas e o próprio STF - como parte da linha sucessória - assumir temporariamente e convocar novas eleições”.
“Apesar da crise causada por conta da corrupção política eu sou contra qualquer tipo de intervenção. Aliás, já que um juiz sugeriu a cura gay através dos psicólogos para reverter a sexualidade, será que os psicólogos não conseguiriam reverter a desonestidade política também? Se der certo, não precisaremos de nenhuma intervenção” - ironiza Angelyta Caetano.
Embora não seja a favor de uma intervenção militar, Roberto Vasconcelos diz concordar com a indignação do general Mourão. “A situação política está insustentável. As sociedades civil e militar clamam por justiça e a tendência é piorar. Do jeito que está não pode continuar” - crava.
"Não sou favorável à intervenção. No entanto acredito que a pressão dos militares é válida sobre o judiciário e sobre a classe política. Porque há um conchavo entre eles. Se tiverem medo da intervenção talvez a impunidade diminua", pondera o assistente administrativo Paulo Fri."Sou contra qualquer tipo de intervenção no processo democrático", afirmou o professor José Bento de Arruda.