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Moro diz que Bolsonaro quer colher informações dentro da PF

O ex-ministro explica também que, ao contrário do que aparece no “Diário Oficial”, ele não assinou a exoneração de Valeixo, e o diretor-geral não pediu pra sair

Da redação - Hojemais Três Lagoas
24/04/20 às 12h56
(Reprodução/Veja)

Sérgio Moro anunciou sua demissão nesta sexta-feira, 24 de abril. Ela foi motivada pela decisão do presidente Bolsonaro de trocar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, indicado para o posto pelo agora ex-ministro. 

No pronunciamento feito por Moro nesta manhã, ele afirmou que disse ao presidente que não era contra a troca de comando na PF, desde que tenha uma razão para que ela seja feita.

"Presidente, eu não tenho nenhum problema em troca do diretor, mas eu preciso de uma causa, [como, por exemplo], um erro grave", disse Moro.

O agora ex-ministro diz que seu problema é com o motivo pelo qual a troca será realizada, segundo ele, Bolsonaro quer “colher” informações dentro da PF, como relatórios de inteligência.

"O presidente me disse mais de uma vez, expressamente, que ele queria ter uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse ligar, que ele pudesse colher informações, que ele pudesse colher relatórios de inteligência, seja diretor, seja superintendente. E realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação", declarou.

Moro comparou esta situação com o período em que conduziu os processos da Operação Lava Jato como juiz:

"Imaginem se durante a própria Lava Jato, ministro, diretor-geral, presidente, a então presidente Dilma, o ex-presidente, ficassem ligando para o superintendente em Curitiba para colher informações sobre as investigações em andamento?", questionou.

Segundo Sérgio Moro, a autonomia da Polícia Federal "é um valor fundamental que temos que preservar dentro de um estado de direito”.

Segundo o relato de Moro, ele disse a Bolsonaro que a troca de comando na PF seria uma interferência política na corporação. O ex-ministro contou que o presidente admitiu isso.

"Falei para o presidente que seria uma interferência política. Ele disse que seria mesmo", revelou Moro.

Moro afirmou que sua saída do ministério é para preservar a própria biografia e para não contradizer o compromisso que assumiu com o presidente: de que o governo seria firme no combate à corrupção.

"Tenho que preservar minha biografia, mas acima de tudo tenho que preservar o compromisso com o presidente de que seríamos firmes no combate à corrupção, a autonomia da PF contra interferências políticas", explicou Moro.

O ex-ministro explica que, ao contrário do que aparece no “Diário Oficial”, ele não assinou a exoneração de Valeixo, e o diretor-geral não pediu pra sair.

Na publicação feita no “Diário Oficial”, mostra a assinatura de Moro e a informação que Valeixo saiu “a pedido”

"Eu não assinei esse decreto e em nenhum momento o diretor da PF apresentou um pedido oficial de exoneração", disse.

"Fato é que não existe nenhum pedido que foi feito de maneira formal. Sinceramente, fui surpreendido, achei que isso foi ofensivo. Vi depois que a Secom confirmou que houve essa exoneração a pedido, mas isso de fato não é verdadeiro", afirmou.

Ele ainda afirma que, esse fato, demonstrou que o presidente queria vê-lo fora do governo.

"Para mim esse último ato é uma sinalização de que o presidente me quer realmente fora do cargo."

Em outro momento do anúncio, Moro disse que Bolsonaro manifestou preocupação com inquéritos em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com Moro, a troca na PF seria "oportuna" para Bolsonaro por causa desses inquéritos.

"Presidente também me informou que tinha preocupação com inquéritos em curso no Supremo Tribunal Federal e que a troca também seria oportuna da Polícia Federal por esse motivo. Também não é uma razão que justifique a substituição, é até algo que gera uma grande preocupação", disse Moro.

*Com informações do G1

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