Entregadores que trabalham em plataformas digitais realizaram mobilizações nesta segunda e terça-feira (31 de março e 1º de abril) em diversas cidades do Brasil para reivindicar melhores condições de trabalho. O movimento, no entanto, não impactou significativamente Três Lagoas, onde os serviços de entrega seguiram normalmente.
O protesto, conhecido como “Breque dos Apps”, teve adesão expressiva em algumas capitais, incluindo Campo Grande, onde mais de 40 motoentregadores se reuniram na Avenida Afonso Pena. As principais reivindicações da categoria incluem aumento da taxa mínima de entrega de R$ 6,50 para R$ 10,00, reajuste no valor por quilômetro percorrido e melhorias nas condições de trabalho, como redução do tempo de espera nos restaurantes e pagamento justo por entrega.
Em Três Lagoas, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) Costa Leste afirmou que está acompanhando a mobilização, mas que não houve impactos significativos. "Até o momento, não identificamos alterações relevantes na operação, pois a maioria dos entregadores é contratada diretamente pelos estabelecimentos ou presta serviços de forma independente. Apenas uma parcela da categoria atua exclusivamente por meio de aplicativos", declarou a entidade.
O presidente do Sindicato Profissional dos Trabalhadores, Similares e Autônomos Individuais sobre Duas e/ou Três Rodas Motorizados ou Não do Estado de Mato Grosso do Sul (SINPROMES/MS), Luiz Carlos Escobar, comentou sobre a paralisação. Segundo ele, a mobilização foi organizada pela Associação dos Trabalhadores de Aplicativo, sem o envolvimento direto do sindicato. "O sindicato existe há mais de 20 anos. Essa luta que os motoristas de aplicativos estão fazendo, o sindicato pediu para 'vamos nos unir e fazer uma coisa certa'. Mas quem levantou essa bandeira foi a Associação dos Trabalhadores de Aplicativo, e eles não querem se unir ao sindicato. Não somos contra, mas queremos que isso seja feito de forma organizada para que possamos levar a questão adiante. Já existe uma ação do Ministério Público que multou essas empresas e plataformas”, declarou Escobar.
A ausência de uma união entre sindicatos e associações de entregadores também foi um ponto de frustração para o SINPROMES/MS. "Nossa frustração é de não levantar uma bandeira em conjunto entre a associação e o sindicato, para que possamos fortalecer a categoria", completou Escobar.
Enquanto isso, no estado de São Paulo, o SindimotoSP entregou três ofícios institucionais solicitando a apuração de práticas antissindicais e melhorias nas condições de trabalho. Esses documentos foram encaminhados ao Ministério Público do Trabalho (MPT), Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e Tribunal Superior do Trabalho (TST).
No Mato Grosso do Sul, o SINPROMES/MS pretende seguir o mesmo caminho. "Nós, em nome do sindicato, vamos nos reunir com os trabalhadores e apresentar o mesmo pedido ao Ministério Público e ao Ministério do Trabalho, para que essas empresas sejam notificadas por descumprimento das leis trabalhistas. Nosso objetivo é garantir que esses trabalhadores tenham condições dignas dentro dessas empresas", concluiu Escobar.
Apesar da mobilização nacional, o cotidiano dos entregadores de Três Lagoas permaneceu inalterado, sem paralisações significativas. A expectativa é de que, nos próximos dias, as negociações avancem e as reivindicações da categoria sejam analisadas pelas autoridades competentes.
