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Participação da mulher na política ainda é pequena em MS

A Câmara de Três Lagoas recebeu a palestrante Aparecida Gonçalves do DEM e ex coordenadora de políticas públicas para mulheres

Julia Rafaela - Hojemais Três Lagoas
16/11/19 às 15h54
Aparecida Gonçalves- (Foto: Aurora Villalba)

Nos últimos anos, o Brasil vivenciou uma progressão no debate público em torno das questões femininas.

Temas como assédio, aborto, maternidade e carreira, vem sendo discutidos amplamente na sociedade e ganhando espaço no cenário político.

A luta pelo direito das mulheres vem progredindo não só no Brasil, mas em todo o mundo. Alguns avanços já foram conquistados nas última décadas, como o direito ao voto e o direito de serem eleitas. Porém, no que tange a representatividade das mulheres na política, esse debate ainda se encontra muito distante do desejado.

Na última terça-feira (12), a Câmara Municipal de Três Lagoas recebeu a palestrante Aparecida Gonçalves do Partido Democratas e ex coordenadora de políticas públicas para mulheres.

O encontro teve como principal objetivo, a discussão sobre democracia, e participação política e efetiva das mulheres dentro de cargos de poder. Segundo Gonçalves, hoje nós temos 15% das nossas deputadas federais na câmara federal, de 503 nós somos 77 mulheres, de 80 senadores nós somos 12 senadoras apenas, somando esse total de 15% do parlamento brasileiro.

“Quando falamos em números, nós mulheres estamos muito abaixo de outros países. O Brasil segundo a ONU (Organização das Nações Unidas) é um dos países com os piores índices de empoderamento feminino. Em nosso país, as mulheres não ocupam nem 20% dos espaços de poder” – afirmou.

Aparecida ainda ressaltou que Mato Grosso do Sul apresenta um cenário pior ainda, isso porque o Estado não tem nenhuma deputada estadual na assembleia legislativa. Ao todo são 24 homens que ocupam o cargo efetivamente, sendo esse um grande desafio para o partido no ano que vem, ou seja, aumentar o número de mulheres dentro da política.

“O importante agora é mostrar a diferença entre uma política feita por mulheres e uma política feita por homens, no congresso nacional as mulheres de todos os partidos se unem pelos nossos direitos, contra violência, feminicídio e saúde e é isso que precisamos criar no Brasil, essa onda de solidariedade entre as mulheres” – finalizou

Giovana Correa-presidente do DEM Mulher em MS (Foto: Albecyr Pedro)

Giovana Correia presidente do DEM mulher no Mato Grosso do Sul e subsecretária da mulher no estado e de políticas públicas para as mulheres também esteve presente no encontro e falou sobre os altos índices de violência contra mulheres em Mato Grosso do Sul.

“A mulher precisa reconhecer que vive o ciclo da violência, o crime de feminicídio é o único que cresce em nosso Estado, todos os outros sofreram quedas e o de feminicídio teve um crescimento de 23%, então é preciso falar, por isso a importância da mulher nas políticas públicas” - afirmou


Para Correia, os dados são preocupantes, no entanto mostram que hoje as mulheres estão denunciando mais, sendo necessário agora um trabalho de combate contra esses crimes.

“A polícia tem que estar preparada para receber essa mulher, tem que ter um atendimento humanizado e ela tem que se sentir segura. Se ela voltar 10 vezes na delegacia o policial tem que estar preparado para receber ela as 10 vezes, porque o ciclo da violência pode durar até 10 anos para conseguir ser rompido.

Ás vezes nós não estamos falando de um agressor desconhecido mas sim o homem que ela escolheu pra ser o marido dela, a fonte de renda de casa, então antes de julgar abrace, ela precisa de ajuda e sem essa ajuda profissional as vezes ela não consegue sair desse ciclo de violência” – finalizou.

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