O dia 17 de novembro é uma data significativa na política brasileira, especialmente para o estado de Mato Grosso do Sul, que há 18 anos se despedia do senador Ramez Tebet. Ex-prefeito de Três Lagoas e ex-presidente do Senado, Tebet travou uma longa batalha de duas décadas contra o câncer, vindo a falecer em 2006. Sua partida deixou um vazio profundo na cidade de Três Lagoas, sua terra natal, onde era visto como uma figura de grande integridade e honestidade.
Ramez Tebet era mais que um político; ele era um apaixonado pela vida e pela sua cidade, onde iniciou sua promissora carreira política. Com uma personalidade cativante e uma verdadeira vocação para a conversa, era comum vê-lo caminhando pelas ruas, interrompendo as músicas que o inspiravam para conversar com as pessoas. Esse amor pela troca de ideias e pela proximidade com os cidadãos era uma de suas marcas registradas.
Nascido em 7 de novembro de 1936, filho dos imigrantes libaneses Taufic e Angelina Tebet, Ramez formou-se em Direito pela Faculdade Nacional do Rio de Janeiro em 1957, mas foi na política que encontrou seu propósito. Casado com Fairte Nassar Tebet, teve quatro filhos: Simone, Maria Eduarda e os gêmeos Rodrigo e Rames. Sua paixão e dedicação marcaram a história de Mato Grosso do Sul e deixaram um legado duradouro para a política e para a população de Três Lagoas, que se despediu dele com profunda tristeza e saudade.
MAIS DE QUATRO DÉCADAS DE DEDICAÇÃO À VIDA PÚBLICA BRASILEIRA
Ramez Tebet foi uma figura proeminente na política brasileira, dedicando mais de quarenta anos à vida pública e ocupando cargos de grande relevância, como governador de Mato Grosso do Sul e presidente do Senado Federal — o posto mais elevado da casa legislativa do Brasil.
A trajetória de Ramez começou em 1961, quando atuou como promotor público na cidade de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. Após esse período, ele dividiu seu tempo entre a advocacia e o magistério até 1975, quando foi eleito prefeito de Três Lagoas. Três anos depois, em 1978, assumiu o cargo de secretário de Estado de Justiça.
Em 1979, Ramez se elegeu deputado estadual, ingressando na primeira legislatura da então recém-inaugurada Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Durante sua atuação como deputado, teve uma participação ativa na criação da primeira Constituição do Estado, destacando-se como relator da constituinte, papel que evidenciou sua competência na área legislativa e jurídica.
O cenário político se transformou para Ramez quando ele deixou a Assembleia Legislativa para se tornar vice-governador, compondo a chapa ao lado de Wilson Barbosa Martins (PMDB), eleito na primeira eleição direta para governadores estaduais desde o início do regime militar. Em março de 1986, com a renúncia de Wilson para disputar uma vaga no Senado, Ramez assumiu o cargo de governador do Mato Grosso do Sul, administrando o Estado até março de 1987, quando entregou o posto a Marcelo Miranda (PMDB).
Após sua experiência como governador, Ramez Tebet continuou contribuindo para o desenvolvimento da região ao atuar como superintendente de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) entre 1987 e 1989. Sua carreira, marcada pela ética e pela dedicação ao serviço público, consolidou-se como uma referência no cenário político nacional, sendo lembrado como um líder comprometido com o progresso do Mato Grosso do Sul e do Brasil.
TRAJETÓRIA DE PROJEÇÃO POLÍTICA E INFLUÊNCIA NACIONAL
A década de 90 foi um marco decisivo na carreira de Ramez Tebet, que consolidou sua trajetória política no cenário nacional com uma série de momentos emblemáticos. Em 1994, Tebet foi eleito senador, e logo se destacou ao assumir o posto de vice-líder do governo. Ele teve papel relevante no Senado em um período conturbado, onde, pela primeira vez, senadores renunciaram para evitar o risco de cassação. Nesse contexto, Tebet ganhou destaque ao presidir a Comissão de Ética, tornando-se uma figura de projeção e respeito na política nacional.
No ano 2000, Ramez Tebet assumiu a presidência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário, investigando questões internas e polêmicas do sistema judiciário brasileiro. Seu papel nessa CPI contribuiu para fortalecer sua imagem de liderança e comprometimento com a transparência e integridade nas instituições públicas.
Em 2001, o episódio da quebra do sigilo do painel eletrônico do Senado, que levou às renúncias de figuras proeminentes como Antônio Carlos Magalhães, José Roberto Arruda e Jader Barbalho, abriu espaço para que Tebet fosse nomeado ministro da Integração Nacional pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. No entanto, apenas três meses depois, em meio a um cenário de instabilidade e com a renúncia de Barbalho, Tebet retornou ao Senado, agora como presidente da casa. Em sua nova função, ele assumiu a responsabilidade de conduzir o Senado até janeiro de 2003, e foi ele quem deu posse ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, marcando uma transição política importante na história brasileira.
A popularidade de Tebet foi reafirmada em 2002, quando obteve a maior votação já registrada por um político de Mato Grosso do Sul, superando os 730 mil votos. Na nova legislatura, ele se envolveu em temas cruciais para o país, sendo relator da nova Lei de Falências e participando ativamente da reforma tributária. Sua influência e credibilidade o levaram a ocupar posições de destaque nas comissões mais poderosas do Senado: a de Constituição e Justiça e a de Assuntos Econômicos, onde atuou até o fim de seu mandato.
Ramez Tebet construiu uma carreira marcada por momentos de crise e desafios, nos quais soube exercer sua liderança e compromisso com o fortalecimento das instituições e da democracia no Brasil.
Ramez e a filha Simone Tebet
HERANÇA POLÍTICA E FAMILIAR
Ramez Tebet, uma figura marcante da política brasileira, deixou um legado que continua a inspirar gerações, especialmente sua filha, Simone Tebet. De sua trajetória política e pessoal, o ex-senador e ex-ministro moldou valores que ecoam até hoje, com seu compromisso em servir ao país e transformar a sociedade. Hoje, sua história vive nos feitos de Simone, que honra o caminho traçado pelo pai e segue avançando com pioneirismo e determinação no cenário político nacional.
Simone Tebet, a filha mais velha de quatro irmãos, herdou o gosto pela política e a vocação para o serviço público do pai. Eleita deputada estadual em 2002, Simone deu seus primeiros passos na Assembleia Legislativa, mas logo, em 2004, renunciou ao cargo para assumir a prefeitura de Três Lagoas, que Ramez administrará nos anos 70. A trajetória de Simone sempre foi marcada por uma dedicação que se reflete em suas conquistas, firmando-se como uma importante liderança feminina no país.
Em 2010, ao lado de André Puccinelli, um dos afilhados políticos de Ramez, Simone assumiu a vice-governadoria de Mato Grosso do Sul, consolidando seu nome no cenário estadual. Mais tarde, em 2014, ela se lançou ao Senado pelo PMDB (atual MDB), conquistando um cargo que sempre fora um sonho e que seu pai havia ocupado com maestria.
Simone emocionou-se ao ver a imagem de seu pai ser honrada novamente.
PIONEIRISMO NO SENADO
Simone Tebet não apenas seguiu os passos do pai, mas também pavimentou sua própria jornada de inovações e desafios. No Senado, onde representa o Mato Grosso do Sul, foi a primeira mulher a liderar a bancada feminina, reforçando a importância da participação feminina na política. Em 2018, tornou-se também a primeira mulher a liderar a bancada do MDB no Senado e, no ano seguinte, foi a primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante da Casa. Em 2021, reafirmou sua determinação ao ser a primeira mulher candidata à presidência do Senado, um feito histórico.
O LEGADO VIVO DE RAMEZ TEBET
Hoje, como ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet mantém o compromisso de continuar o trabalho de transformação iniciado por seu pai. Em uma cerimônia recente no Salão Nobre do Senado, onde o retrato de Ramez Tebet foi recolocado na galeria dos presidentes da Casa, Simone emocionou-se ao ver a imagem de seu pai ser honrada novamente, relembrando a fonte de sua inspiração e força.
Ramez Tebet partiu, mas sua luta e dedicação continuam refletidas na trajetória de sua filha, que constrói um legado próprio enquanto preserva o espírito do pai. A história de ambos é um exemplo de persistência, coragem e amor pelo Brasil.