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Secretário da cultura tem fala comparada com discurso nazista

O presidente Jair Bolsorado publicou em seu Twitter na sexta-feira (17) dizendo que Roberto Alvim não tinha mais ligação com a secretaria de cultura

Beatriz Benedeti - Hojemais Três Lagoas
21/01/20 às 09h46
Ex- secretário da cultura, Roberto Alvim. (Reprodução/ Terra)

O secretário da Cultura, Roberto Alvim, foi retirado de seu cargo após divulgar um vídeo na última quinta-feira (16), que causou grande repercussão, pois seu discurso ser comparado com o de Joseph Goebbles, que era o ministro da Propaganda na Alemanha nazista. Confira abaixo na íntegra a fala de Alvim;

“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo, ou então não será nada", falou o secretário durante o vídeo

O texto foi comparado a um discurso de Goebbels reproduzido no livro 'Goebbels: a Biography', de Peter Longerich.

"A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada", disse Goebbels 

Goebbels, à direita, é descrito por especialistas no nazismo como o responsável pelas estratégias de lavagem cerebral do regime alemão (Reprodução/Jornal da Record)

Além disso, a música utilizada no vídeo feito por Alvim é a ópera Lohengrin, de Richard Wagner. Essa música foi a mesma utilizada na inauguração do 3° reich (do Regime Nazista). Hitler era fã das óperas de Wagner, tanto é que na sua autobiografia ‘Minha lua’, ele descreve assistir uma obra Wagneriana pela primeira vez, e diz que foi uma experiência que mudaria sua vida.

Alvim ainda diz que “Houve uma infeliz coincidência retórica nesta frase. Cuja a forma é extremamente semelhante à forma da frase que acabou sendo dita por mim, e a frase original do Joseph Goebbles”

O presidente Jair Bolsorado publicou em seu Twitter na sexta-feira (17) dizendo que Roberto Alvim não tinha mais ligação com a secretaria de cultura.

"Na Alemanha ele estaria preso. Lá o Código Penal proíbe esse tipo de referência", disse Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) à BBC News Brasil.

Para Santa Cruz "todos os limites foram ultrapassados ao claramente se idealizar uma política cultura nazista" e "O episódio tem que ser lido, por pior que pareça, dentro de uma escalada de lideranças do governo brasileiro de idealização do autoritarismo. Não é de hoje que o próprio presidente tem um histórico de defesa do autoritarismo, da ditadura no Brasil."

O presidente da OAB ainda cita a Lei 7.716 de 1989, que prevê reclusão de dois a cinco anos para "Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo".

*Com informações da BBC News Brasil , Globo play e O globo

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