Política

Simone Tebet se destaca na CPI da Covid e já é cotada como 3ª via para presidente

“Na segunda fase, estamos reunindo fortes indícios de irregularidades na compra das vacinas. Nossa tarefa agora é desvendar nome, CPF ou CNPJ dos responsáveis”, disse

Danielle Brito - Hojemais Três Lagoas
07/08/21 às 07h47

Com seu jeito discreto, a senadora Simone Nassar Tebet (MDB-MS) tem chamado à atenção durante as sessões da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid-19, com sua oratória objetiva e ao mesmo tempo incisiva.

A senadora que representa a bancada feminina conseguiu uma vaga informal e desde então está presente em todas as reuniões. Simone vem roubando a cena durante as sessões e passou a ser considerada peça fundamental para as tomadas de depoimentos e apuração das investigações pelos colegas.

No dia 24 de junho, durante o depoimento do deputado Luís Miranda (DEM-DF), a senadora conseguiu fazer com que o depoente falasse o nome do deputado que, segundo contou, foi citado pelo presidente Bolsonaro como possível envolvido no caso: o deputado Ricardo Barros (PP-PR). 

Segundo a Agência Senado, naquela ocasião, Simone Tebet defendeu uma homenagem ao servidor Luís Ricardo, irmão do deputado. Para Simone, Luís Ricardo impediu um negócio suspeito, e lembrou que uma das bandeiras de campanha de Bolsonaro era o combate à corrupção. Em resposta, Luís Miranda disse que, em alguns momentos, “é importante à gente esquecer o que a gente escutou”.

MULHERES NA CPI 

Em entrevista ao Jornal Hojemais, a senadora Simone Tebet explicou o porquê da falta de voz feminina na CPI como membro titular e relembrou episódios lamentáveis em relação aos colegas.

“A composição das Comissões e das CPIs ocorre por indicação dos líderes partidários. Quando a CPI da Covid foi instalada, nenhum líder indicou senadoras entre os integrantes, acredito que muito mais por distração do que por algo deliberado contra a bancada feminina. Afinal, somos apenas 12 em 81”, disse


A senadora declarou que qualquer senador tem o direito de participar das reuniões para interpelar as testemunhas. A diferença é que os não membros não podem votar ou apresentar requerimentos e ainda precisam aguardar para falar após os 18 titulares e suplentes. 


“Diante deste cenário, pedimos ao presidente da CPI, senador Omar Azis e fomos atendidas - para que a bancada feminina tivesse prioridade de fala no início das sessões. Ou seja, na ordem de inscrição uma de nós é incluída na lista de titulares e outra na lista de suplentes, em prioridade, para interpelar as testemunhas. Então, em toda reunião há duas mulheres que falam por todas nós. Neste aspecto foi fundamental, porque a gente não tem vez, mas tem voz”, relatou Simone

A parlamentar relembrou o início dos trabalhos da CPI e lamentou algumas atitudes dos colegas.

“Infelizmente, no início dos trabalhos tivemos episódios lamentáveis em relação aos colegas. Mas fomos firmes e a nossa participação no colegiado já está consolidada. A nossa voz não pode ser calada, especialmente nesta CPI, que não trata apenas de fatos passados, de corrupção. Estamos falando de fatos continuados. Estamos falando da perda de 560 mil vidas. Independentemente da coloração partidária, o que a bancada feminina quer é chegar à verdade dos fatos”, completou

FALTA DE PLANEJAMENTO NACIONAL

A senadora acredita que houve omissão do Governo Federal na condução errática da pandemia. “Da primeira fase da CPI, temos elementos que dão conta do estímulo ao uso de medicamentos sem comprovação científica, da ação para fazer a população acreditar na imunidade de rebanho, do atraso na compra de vacinas, da falta de planejamento nacional na condução das ações voltadas à pandemia, da inexistência de comunicação com a população no sentido de uma melhor proteção contra o coronavírus. Agora, da segunda fase, estamos reunindo fortes indícios de irregularidades na compra das vacinas. Nossa tarefa agora é desvendar nome, CPF ou CNPJ dos responsáveis”, finalizou Simone

"E o que é mais interessante nisso tudo é que um tinha interligação com o outro, pelo menos das três vacinas, Covaxin, AstraZeneca compradas por intermediários e um contrato maior com o laboratório CanSino que produz a vacina Convidecia", disse a senadora

OMISSÃO DO GOVERNO

Na última quarta-feira, 4, a senadora participou do podcast Café da Manhã produzido pela Folha, ocasião em que ela comentou que a CPI da Covid já provou a omissão do governo federal e do presidente Jair Bolsonaro na gestão da pandemia no Brasil. 

“Fizemos descobertas relevantes e abrimos uma grande caixa preta. Saímos da primeira fase da CPI, daquele negacionismo provando a meu ver, elementos que comprova a omissão dolosa do governo federal e do presidente da república no atraso da compra da vacina contra Covid-19”, disse ela ao jornalista Bruno Boghossian. 

A senadora explicou durante o programa que também foi descoberto um esquema de ‘propinoduto’ de tentativas de comercialização de vacinas superfaturadas vinda de diversos núcleos e diversos setores. 

“E o que é mais interessante nisso tudo é que um tinha interligação com o outro, pelo menos das três vacinas, Covaxin, AstraZeneca compradas por intermediários e um contrato maior com o laboratório CanSino que produz a vacina Convidecia”, disse a senadora

Simone Tebet disse durante a entrevista ao Café da Manhã que existem suspeitas gravíssimas de superfaturamento, e tentativas de levar propinas em cima de cada dose de vacina em uma escala estratosférica. Ela lembrou que os interlocutores aparecem também constantemente em cada uma dessas tentativas e transações. 

“Tudo isso é muito lamentável. Com relação à Covaxin já temos a materialidade, falta agora saber o nome, sobrenome e CPF, dos autores envolvidos neste esquema. No caso dos intermediários, eles vão ajudar a corroborar os modus operandi e linkar naquilo que há de concreto a respeito do ‘propinoduto’ da Covaxin”, esclareceu Simone durante o podcast

A senadora esclareceu ao jornalista Bruno Boghossian, que o caso da Covaxin está bem avançado e tem mais materialidade. 

“Acredito que dentro de mais 15 dias, a CPI já deve ter ouvido todos os personagens e deve conseguir concluir o processo, porém podem surgir fatos novos. A comissão tem muitas denúncias e duas delas, são muito sérias, com indícios fortes de crimes contra a administração pública, uma delas é no caso do contrato da VTCLog distribuidora de medicamentos do Ministério da Saúde, que teve recentemente a tentativa de aumentar o valor do contrato em 1800%.  E a outra linha mais ampla envolve os hospitais federais do Rio de Janeiro principalmente no período da pandemia. Tendo vista essas novas frentes, é importante na segunda fase ir fechando as caixinhas. Sendo assim, a qualquer momento esses assuntos podem voltar”,  explanou

RELATÓRIO FINAL 

Simone Tebet acrescentou que para ela está muito claro que o relatório final vai constar dois fatores muitos decisivos.

“Para chegar à pandemia como o país que teve menos capacidade de reação, e o maior número de vítimas fatais, não pela fatalidade da doença, mas pela omissão dolosa, negligente e imprudência do Ministério da Saúde, do governo federal e por parte de alguns governos estaduais. Esse negacionismo em tentar imunizar naturalmente, negando o óbvio, numa miopia política do governo federal, para mim vai estar muito claro no relatório, ali estão todos os crimes contra a administração pública e também a responsabilidade do presidente da república”, concluiu Simone.

Na sessão de quinta-feira, 5, durante o depoimento de Airton Soligo, apontado por integrantes da CPI da Covid como espécie de "número 2 informal" da gestão do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, disse à comissão que o ex-chefe não lhe terceirizava competências.

Depois de ser questionado pela senadora, e diante da resposta dada por ele, Simone disse que criticou a falta de planejamento e de coordenação do governo federal em relação à pandemia. 

“Alterar regras do plano de contingência e jogar a responsabilidade sobre estados e municípios foi como trocar o pneu com o carro andando. Pacientes de Covid-19 nas UTIs sofreram sem oxigênio ou kit intubação”, explanou. 


GRITO DE INDIGNAÇÃO

A senadora Simone Tebet disse, durante o depoimento da ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, Francieli Fantinato, ocorrido no início de julho que há indícios gravíssimos de corrupção na aquisição de vacinas, que faltaram no braço dos brasileiros. Segundo ela, o compromisso da CPI “não é no minuto de silêncio, é no grito de indignação que vai fazer eco e chegaremos nos verdadeiros culpados” disse.

A depoente na ocasião criticou o presidente da República por politizar as vacinas e colocar em dúvida a eficácia das vacinas. Para Simone, Francieli deixou claro que não conseguia trabalhar por falta de vacinas e de campanhas publicitárias eficazes.

“Além do gabinete oficial, há o gabinete paralelo, o gabinete do ódio que dissemina desinformação e, agora está muito claro que há um gabinete do propinoduto”, complementou Simone Tebet”.


SOLDADOS DA VIDA

A senadora lembrou-se durante sua participação a CPI da Covid que os profissionais da saúde foram soldados da vida. Se comprovado, são desertores os militares que se deixaram levar pela corrupção, nesta guerra contra a Covid-19.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM POLÍTICA
Franquia:
Três Lagoas MS
Franqueado:
Empresa Jornalística e Editora Hojemais Ltda.
01.423.143/0001-79
Editor responsável:
Daniele Brito
materia03@hojems.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2021 - Grupo Agitta de Comunicação.