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Três-lagoenses falam sobre votação que beneficiou Temer

Em uma sessão marcada por votos constrangidos e negociação de emendas à luz do dia no plenário, Michel Temer obteve apoio suficiente para barrar o avanço da denúncia por corrupção passiva apresentada pela Procuradoria-Geral da República.

Hojemais Três Lagoas - Albecyr Pedro
06/08/17 às 09h18
(Reprodução)

Em uma sessão marcada por votos constrangidos e negociação de emendas à luz do dia no plenário, Michel Temer obteve apoio suficiente para barrar o avanço da denúncia por corrupção passiva apresentada pela Procuradoria-Geral da República.

Com a maioria dos votos dos deputados que compõem a Câmara - 263 votaram ‘sim’; 227 votaram ‘não; 2 se abstiveram e 19 se ausentaram - Temer se salvou do prosseguimento da denúncia. Os votos em favor do relatório da Comissão de Constituição e Justiça - que recomendou o arquivamento das acusações contra ele, somados aos ausentes e às abstenções ultrapassaram os 172 votos – o mínimo necessário para o arquivamento.

A vitória trouxe um alívio no planalto, já que o Supremo Tribunal Federal não está autorizado a analisar a denúncia, o que impede Temer de se tornar réu e, consequentemente, de ser afastado do cargo por até 180 dias.

A nossa reportagem ouviu os três-lagoenses e pediu a opinião referente ao fato deste arquivamento.

Com a imagem desgastada e com baixa popularidade - a maior da história para um presidente, segundo pesquisa divulgada há alguns dias - a maioria dos entrevistados foi unânime em dizer que a denúncia contra o presidente deveria ter prosseguido.

Para Jeremias Pereira da Silva, de 54 anos - os deputados foram contra o povo brasileiro. Para ele o arquivamento da denúncia deu espaço para a continuação da corrupção.

“Eles deveriam ter aprovado a denúncia e o presidente deveria ter mais critério e vergonha na cara para assumir os seus atos de corrupção. O povo precisa de assistência básica, melhorias na saúde pública, empregos e eles estão preocupados somente com os interesses deles” - disse.

Ainda segundo ele, o cidadão brasileiro não aguenta mais tanta corrupção. “Hoje está tudo escancarado, diferente de um tempo atrás quando jogavam para debaixo do tapete. Já pensou o povo se rebelando contra eles e todos fossem até o congresso e provocassem um ‘quebra-quebra’?” - indaga.

De acordo com Lucilene Bastos, de 37 anos - o país está atravessando um momento político difícil; de bombardeios por conta desta corrupção.

“Eu gostaria de ver a denúncia contra o presidente aprovada, mas ao mesmo tempo, por outro lado, também imaginei a bagunça ainda maior que iria se tornar o país. Quem teria capacidade para assumir o país neste momento? Refletindo depois, acho melhor deixar que ele termine o mandato e depois sim, o povo eleja alguém preparado” - destaca.

Para Kid - outro cidadão três-lagoense - é preciso uma mudança geral no quadro da política nacional, devido ao que vem ocorrendo. Segundo ele, a ex-presidente Dilma Rousseff foi eleita pelo voto democrático da maioria dos brasileiros e, no entanto, os partidos de direita procuraram indícios de corrupção contra ela e não encontraram.

“Para tirá-la do poder inventaram uma denúncia chamada de “pedaladas fiscais” e ela acabou sofrendo o impeachment, enquanto que Temer foi delatado em esquemas graves de corrupção e a maioria no congresso arquivou”. Com um trecho da canção de Renato Russo “Que país é este?” – encerrou a entrevista.

Otacílio dos Santos Ferreira, de 63 anos – disse que, quando cassaram o mandato da ex- presidente Dilma Rousseff deveriam ter cassado a chapa por completa. Tirando Temer também do poder. Ele se diz indignado e decepcionado com a votação, pois deveriam ter aprovado a admissibilidade da denúncia e afastá-lo.

“Acredito que a oposição deve continuar mais forte e investigando o presidente - mesmo que o processo contra ele não tenha sido aprovado” - finaliza.

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