A vitória do PP em Campo Grande nas eleições municipais de segundo turno não só fortaleceu o partido, que agora administra os municípios com mais eleitores de Mato Grosso do Sul, como também colocou o ex-governador Reinaldo Azambuja (PSDB) em uma posição delicada. Embora o PSDB continue com o maior número de prefeituras no estado, são os progressistas que, com 16 prefeituras, passam a controlar os colégios eleitorais mais relevantes, somando 871.345 eleitores — número que supera em 36.984 eleitores o total de eleitores sob gestão do PSDB.
O ponto crítico desse novo cenário é que Azambuja, tradicional aliado do governador Eduardo Riedel (PSDB), pode enfrentar um dilema. Há rumores de que dois grupos já se formaram dentro do campo tucano, expondo um racha que ficou evidente durante a disputa em Campo Grande, onde cada grupo apoiou uma candidata diferente. Riedel saiu vencedor nesse embate interno ao ver sua candidata triunfar, mas a vitória do PP sobre o PSDB na capital abre a possibilidade de realinhamentos para o ex-governador, que, segundo especulações, poderia se aproximar do PL ou mesmo do PP, o novo vencedor em peso de Mato Grosso do Sul.
Com o PP agora comandando a capital e outras prefeituras estratégicas, Azambuja tem o desafio de decidir se continua no PSDB, que ainda lhe oferece uma base relevante, ou se busca novos caminhos, alavancando uma possível aliança com os progressistas. Caso opte pela segunda via, o ex-governador pode enfraquecer o PSDB no estado, minando ainda mais a unidade tucana e potencialmente beneficiando os progressistas, que já se consolidaram como um grupo de peso.
Essa nova conjuntura coloca Riedel e Azambuja em lados sensíveis de uma mesma moeda política. De um lado, Riedel precisa preservar o PSDB e administrar o possível descontentamento dos aliados; de outro, Azambuja pode estar refletindo sobre o custo de manter-se fiel a um partido que, no cenário atual, corre o risco de ver sua hegemonia diluída em um MS onde o PP agora emerge como a principal força entre os eleitores.
