Michel Demurget, um neurocientista francês, comparou nas últimas décadas, resultados de testes de QI (Quociente de Inteligência) de crianças do mundo todo e concluiu que as de hoje – geração digital -, apresentaram os números mais baixos de todo o período pesquisado. Nunca na história, desde quando foram iniciados os testes, o índice foi tão baixo como o dessa geração.
Os testes consideraram a diferença de método e técnica que evoluíram no período para que não houvesse discrepância e também os fatores de desigualdade socioeconômica entre os grupos, pois sabe-se que condições como nutrição, educação e saúde interferem diretamente nos resultados. Assim, garantiu-se a homogeneidade do perfil dos estudados, para que não houvessem erros.
Mesmo assim, os resultados foram negativos e, segundo o cientista, “simplesmente não há desculpa para o que estamos fazendo com nossos filhos e como estamos colocando em risco seu futuro e desenvolvimento”.
Ainda não se sabe exatamente qual ou quais são os motivos que impactam nos resultados, mas Demurget acredita que o excesso de exposição às telas – smartphones, televisores e games -, contribuem expressivamente para a diminuição cognitiva das crianças, afetando a linguagem, a concentração, a memória e a cultura, itens definidos como alicerce de conhecimento para medição da inteligência.
E essa exposição excessiva não se refere a impactos apenas biológicos e sim ao tipo de conteúdo consumido – coisas fúteis, superficiais e inúteis para o desenvolvimento intelectual predominam as mídias e dispositivos usados pelas crianças (não só por elas).
Apesar disso, as telas não são os únicos fatores para isso ocorrer, diz o cientista; a exposição a pesticidas e o consumo de medicamento ingerido por décadas pelos genitores também têm sua contribuição. Ainda assim, Demurget considera que as telas, quando bem utilizadas, podem também trazer benefícios.
A questão, como sempre, é manter o equilíbrio no uso e consumo das coisas que nos cercam.
A pergunta que fica é: Como serão, então, os filhos dessa geração?
(Foto: Arquivo pessoal)
*Cássio Betine é head do ecossistema regional de startups, coordenador de meetups tecnológicos regionais, coordenador e mentor de Startup Weekend e pilot do Walking Together. Cássio é autor do podcast Drops Tecnológicos.
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