A moradora no bairro Nova Iorque, em Araçatuba (SP), que teve 34 cães de raça recolhidos pelo CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) de Araçatuba (SP) na noite de segunda-feira (13), nega que os animais estivessem em condições de maus-tratos. Ela chegou a ser presa em flagrante, mas teve o direito à liberdade provisória durante audiência de custódia no dia seguinte.
Os animais foram recolhidos após serem encontrados na residência dela, por equipe do Corpo de Bombeiros, durante combate a um incêndio. No boletim de ocorrência consta que uma médica veterinária do CCZ esteve no imóvel e constatou os maus-tratos.
O documento cita que alguns animais estavam machucados, outros não andavam e havia alguns em péssimo estado de cuidados. Consta ainda que os cães viviam sem infraestrutura mínima como água, alimentos e cuidados veterinários.
Nega
Em entrevista concedida ao Hojemais Araçatuba , a tutora nega que os animais estivessem sem água e comida. Ela disse que no mesmo dia havia comprado ração para os animais, que haviam comido. “Não deixamos a ração à disposição deles. Eles comem e depois guardamos a ração” , afirmou.
Com relação aos possíveis ferimentos em alguns dos animais, ela alegou que devido ao incêndio e ao barulho causado pelos bombeiros durante o combate às chamas eles se assustaram e alguns devem ter brigado. Argumentou ainda que alguns deles fizeram coco e xixi, devido à situação, e por isso estavam sujos.
Dificuldades financeira
Porém, ela confirmou que alguns animais estavam com o pelo embolado, devido à família estar passando por dificuldades financeiras temporárias e não ter condições de mandá-los ao pet shop para banho. Ela explicou que o marido dela é bancário e durante a pandemia, por ser do grupo de risco, foi afastado do trabalho para ficar em home office.
Durante esse período ele também entrou em depressão e está afastado do trabalho desde janeiro, o que fez com que o rendimento mensal da família fosse reduzido. “A situação está difícil. Tivemos que optar por comprar ração ou dar banho nos cachorros, mas eles não estão mal cuidados”, justifica.
Ainda de acordo com ela, o marido dela passou por perícia no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) nesta quarta-feira (15) e é aguardado o resultado, para que venha a receber o benefício. Com o dinheiro, a família pretende começar a colocar as contas em dia.
A mulher revelou que chegou a pagar R$ 2 mil por mês com pet shop para banho e tosa dos cães e que está com uma dívida de quase R$ 3 mil com uma casa de rações, mas que vem pagando conforme entra dinheiro.
Questionada se teria condições de cuidar dos cães caso venha a reaver a guarda deles, a tutora afirma que sim. “Eu passo fome, mas vou dar banho nos meus cachorros se é isso que eles querem, mas eu quero os meus cachorros de volta”, declara.
Não é canil
Por fim, a mulher nega que mantenha um canil clandestino na casa dela, como representantes de ONGs que atuam na defesa de animais chegaram a afirmar a alguns veículos de imprensa. “Se fosse um canil eu teria filhotes em casa e não tem” , afirma.
De acordo com ela, a criação teve início em 2014 e muitos dos cães têm entre 7 e 4 anos de vida, mas por serem pequenos, aparentam ser filhotes. “ Eles são da família, dormem na cama”, diz.
A mulher questionou o fato de muita gente estar procurando o CCZ para adoção dos cachorros, pelo fato de serem de raça e possuírem valor comercial. Segundo o que consta no boletim de ocorrência, foram recolhidos sete cães da raça Maltês, 17 Yorkshire e dez Spitz Alemão. Entre esses últimos existem os de menor porte, conhecidos como Lulu da Pomerânia, cujo valor comercial de um filhote pode chegar a R$ 5 mil.
Adoção
Ela contou que após obter a liberdade provisória, ainda na terça-feira, esteve no CCZ e teria sido impedida de ver os animais. No período em que esteve no local, viu uma atendente receber pelo menos três ligações de pessoas interessadas em adotar os cães. Uma quarta pessoa teria ido pessoalmente ao CCZ procurar por eles.
Ao ser informada que a Justiça é que decidiria o destino dos cachorros, mas que havia outros animais para adoção, sem raça definida, essa pessoa teria virado as costas e deixado o local. “As pessoas estão interessadas na adoção dos meus cachorros porque eles têm valor comercial. Por que não adotam os outros que estão lá?" , questiona.
Cuidados
A tutora também questionou o fato de os cães serem mantidos em gaiolas no CCZ, o que não acontecia na casa dela, onde tinham um espaço próprio e adequado dentro do imóvel, de acordo com a mulher.
Disse ainda que fotos que estão circulando pelas redes sociais e divulgadas em alguns sites de notícia, com vários cães juntos em um canto de uma casa, não são da residência dela, mas sim do imóvel vizinho para onde eles foram levados temporariamente durante o trabalho dos bombeiros.
Também negou que houvesse roupas espalhadas dentro de casa, como consta no boletim de ocorrência. De acordo com ela, teriam sido os bombeiros, com os equipamentos de ar nas costas, enquanto estiveram na casa, que teriam espalhado as roupas que estariam sobre móveis.
“Estão criando uma situação que não existe e isso irá me prejudicar. Ninguém veio me perguntar se eu preciso de ajuda, estão todos preocupados com meus cachorros, só porque são de raça”, finalizou emocionada.
