Justiça

Acusado incendiar carro com a ex grávida dentro é condenado a 27 anos de prisão

Vítima foi trancada no porta-malas junto com outro homem e morreu carbonizada; julgamento no Fórum de Birigui terminou na madrugada desta sexta-feira e outros 2 réus foram condenados a 20 anos de prisão; o quarto denunciado foi absolvido

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
02/12/22 às 10h31
Ellen Priscila Ferreira da Silva tinha 24 anos (Foto: Reprodução)

O Tribunal do Júri de Birigui (SP) condenou três dos quatro réus denunciados pelos assassinatos de Ellen Priscila Ferreira da Silva, 24 anos, e Ely Carlos dos Santos, 39, que foram queimados vivos dentro de um Ford Ka, em outubro de 2020.

Edi Carlos Raval Ribeiro, acusado de ter planejado os crimes, é reincidente, por isso pegou a maior pena. São 27 anos, 1 mês e 10 dias de prisão, sendo 21 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão por duplo homicídio; 4 anos de prisão por aborto; e mais 1 ano e 4 meses por corrupção de menor.

Segundo a denúncia, ele manteve relacionamento amoroso com Ellen, que estava grávida dele quando foi assassinada.

A atual companheira dele, Cristiane Kelly França Raval, e Juan Barros de Freitas, foram condenados cada um a 20 anos e 4 meses de prisão por participação nos crimes. Já David Denis da Silva, apontado pela polícia como sendo a pessoa que teria ajudado a reunir os comparsas nos assassinatos, foi absolvido.

Julgamento

O julgamento aconteceu no Fórum de Birigui, começou na manhã de ontem, mas a sentença do juiz presidente do Júri, Adriano Pinto de Oliveira, foi proferida apenas às 2h20 desta sexta-feira (2). 

Durante o julgamento, os jurados acataram os pedidos da Promotoria de Justiça, representada pelo promotor de Justiça Rodrigo Mazzilli Marcondes, que pediu a condenação dos três réus por dois homicídios consumados triplamente qualificados por motivo torpe, emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa das vítimas; pelo crime de aborto sem o consentimento da gestante; e pelo crime conexo de corrupção de menor.

As defesas dos réus representaram pela absolvição por negativa de autoria, no cado de Cristiane; absolvição pelo arrependimento eficaz e pela coação moral irresistível, no caso de Juan; e absolvição imprópria por inimputabilidade no caso de Edi Carlos. Entretanto, as teses não foram reconhecidas pelos jurados. 

Absolvido

David Denis da Silva foi denunciado pelo Ministério Público pelos mesmos crimes dos outros três réus, mas durante o julgamento, o promotor pediu aos jurados que o absolvesse por falta de provas.

Ele aguardava julgamento na penitenciária de Irapuru, estava em trânsito na penitenciária de Valparaíso durante o julgamento e o juiz determinou a expedição do alvará de soltura em favor dele, o qual deve ser cumprido quando retornar para Irapuru.

Quanto aos três condenados, o juiz determinou o regime fechado para o início do cumprimento das penas. Edi Carlos, Juan e Cristiane estão presos desde 29 de outubro de 2020 e não terão o direito de recorrer em liberdade.

Caso

Os corpos de Ellen e Ely foram encontrados e outubro de 2020, carbonizados, dentro do Ford Ka pertencente à mãe de Ellen, em um canavial entre Birigui e Coroados. Durante a investigação, a Polícia Civil de Birigui apurou que ela havia mantido um relacionamento amoroso com Edi Carlos, com quem tinha o hábito de consumir entorpecentes. Ely também andava com o casal.

Nesse período, as vítimas teriam testemunhado Edi Carlos tentar matar um homem com golpes de faca e relataram o fato à polícia ao serem intimados para prestar depoimento, revoltando-o.

Além disso, após terminar o relacionamento com Ellen e voltar a conviver com Cristiane, Edi Carlos teria sido informado pela vítima que estava esperando um filho dele. Pressionado pela companheira, que seria contra a jovem ter um filho dele, ele teria decidido assassinar o casal.

Grupo

A polícia apurou que o casal teria contado com a ajuda de David, que teria convencido Juan e um adolescente, que estava com problemas com Ely por conta de dívidas de droga, a participarem do crime.

Consta na denúncia que Edi Carlos levou as vítimas para o local do crime no carro da mãe de Ellen, sendo acompanhado de Cristiane, que estava com o carro dela, tendo como passageiros Juan e o adolescente.

Cristiane teria entregado o galão com gasolina para Juan, que despejou o combustível no carro, com as vítimas estavam trancadas no porta-malas. Edi Carlos teria ateado fogo no veículo, casando a morte da gestante e da outra vítima.

No dia seguinte, Edi Carlos teria retornado ao local e retirados as placas do carro incendiado para tentar dificultar a identificação do veículo.

Corpos foram encontrados carbonizados dentro do carro da mãe de Ellen (Foto: Divulgação/Arquivo)
Ely Carlos dos Santos tinha 39 anos (Foto: Reprodução)
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