Justiça

‘Caíque do Água Branca’ será julgado na quarta por tripla tentativa de homicídio

Ele e Alexandro Cícero Rodrigues da Silva são acusados de balear três pessoas perto de um bar no Vista Verde em 2019

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
03/10/22 às 18h25

Caíque Junio de Souza Soares, 27 anos, que era considerado um dos homens mais procurados de Araçatuba (SP) quando foi preso em dezembro do ano passado, será julgado pelo Tribunal do Júri na próxima quarta-feira (5).

Ele e Alexandro Cícero Rodrigues da Silva foram denunciados por tripla tentativa de homicídio, acusados de terem ferido três pessoas com disparos de arma de fogo feitos contra uma quarta vítima que estava em um bar, no bairro Vista Verde.

Os crimes aconteceram em 31 de agosto de 2019 e, como era considerado foragido quando a denúncia foi aceita, Caíque não foi ouvido durante o processo. O outro réu negou ter atirado contra as vítimas.

Crimes

Segundo a denúncia do Ministério Público, o alvo dos atiradores estava no bar jogando baralho e teria sido visto por Caíque, que passou pelo local em uma moto de grande porte. Minutos depois ele teria retornado, trazendo o corréu na garupa e quando passava pelo estabelecimento, teriam ocorrido os disparos.

O alvo da dupla não foi atingido. Ele relatou em depoimento que estava armado e revidou, atirando contra os réus. Ele alegou ainda não saber o motivo do crime, apesar de ser amigo de outras pessoas que teriam sido vítimas da dupla.

Diante disso, teriam surgido boatos de que iria se vingar e, por ter sido avisado de que estava jurado de morte, estava com uma arma que teria pego emprestada de um conhecido.

Baleados

Um dos baleados, que tinha 24 anos na época, contou à polícia que estava sentado na calçada jogando cartas com colegas quando foi atingido por um tiro na região lombar, feito por duas pessoas em uma moto.

Outra vítima é um jovem que tinha 17 anos na ocasião e relatou em depoimento que após comprar cigarros no estabelecimento, voltava para casa e levou um tiro na perna, porém, não viu veículo suspeito antes ou no momento dos disparos. 

A terceira vítima é uma jovem que tinha 23 anos e estava na calçada fazendo as sobrancelhas de uma amiga quando ouviu disparos de arma de fogo. Ela contou que correu na direção da filha dela, de 3 anos, com intenção de protegê-la, quando foi atingida nas costas por um projétil.

A jovem confirmou que os disparos foram feitos por duas pessoas que estavam em uma moto e disse que os tiros foram feitos contra as pessoas que estavam do outro lado da calçada, em um bar, mas não identificou os autores.

Negou

Silva foi identificado após receber atendimento médico e negou ter atirado contra as vítimas. Ele disse que não ocasião participava de uma festa numa área de lazer nas imediações e passou de moto, junto com Caíque, próximo de um bar.

Na versão dele, alguém que estava no bar ou nas proximidades atirou, vindo a atingir os dois. Disse ainda que mesmo ferido Caíque conseguiu fugir com a moto e que eles não estavam armados. Por fim, alegou que pouco tempo depois ele desmaiou e só acordou três dias depois.

Denunciados

O Ministério Público representou pela condenação dos dois pela tripla tentativa de homicídio qualificada pelo emprego de meio que resultou perigo comum, por entender que as vítimas não morreram por não terem sido atingidas em regiões vitais e receberam pronto atendimento médico.

Com relação ao jovem alvo dos atiradores, que revidou aos tiros, a Promotoria de Justiça pediu o arquivamento do procedimento que investigava os disparos de arma de fogo, por considerar que nenhuma arma foi apreendida e ele teria agido em legítima defesa.

A Justiça acatou os pedidos do Ministério Público ao aceitar a denúncia e decretou a prisão dos réus, que foram pronunciados e enviados para julgamento pelo Tribunal do Júri em abril do ano passado. O julgamento está previsto para começar às 9h, no Fórum de Justiça de Araçatuba e será aberto ao público.

Preso

Caíque foi preso pela Polícia Militar em 30 de dezembro, após ser encontrado em um rancho no assentamento Chico Mendes. Na ocasião havia contra ele quatro mandados de prisão em aberto, dois por homicídio e dois por roubo.

A prisão foi feita por equipe do Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia), diante da informação que ele chefiaria o tráfico de drogas no bairro Água Branca e estaria envolvido em vários homicídios registrados no últimos anos na zona leste da cidade.

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