O Tribunal do Júri de Araçatuba (SP) condenou o pintor Anderson Luís Dias da Cruz, 38 anos, a 7 anos de prisão pela tentativa de feminicídio contra a companheira dele, uma mulher com 32 anos na época do crime, ocorrido em dezembro de 2018.
O julgamento aconteceu nesta quarta-feira (17) no Fórum de Araçatuba e os jurados acataram na íntegra a denúncia do Ministério Público, representada na sessão de julgamento pelo promotor de Justiça Adelmo Pinho.
A defesa, feita pelo advogado Benedito Matias Dantas, queria a desclassificação para o crime de lesão corporal, absolvição ou afastamento da qualificadora, teses que foram rejeitadas pelos jurados.
Ciúmes
Segundo a denúncia, o casal vivia em união estável havia 1 ano e 10 meses e residia em um imóvel na rua Noel Rosa, no bairro Rosele. Naquela noite, a vítima teria recusado o convite do réu para ir para a cama, o que o levou a acusá-la de estar traindo ele com um ex-namorado.
Diante disso, ele armou-se com um facão que estava no quarto e a golpeou no pescoço. A mulher conseguiu correr para fora da residência, foi acompanhada pelo companheiro, que estava com outro facão, a segurou e desferiu outros golpes.
Consta na denúncia que a mulher segurou a arma com as mãos, sofrendo diversos cortes nos dedos e lesão no abdômen. Ao cair próximo ao portão da casa, ela foi agredida com uma peça de azulejo na cabeça, sofrendo um corte.
Ameaça
O pintor ainda a teria arrastado até à rua, agarrando-a pelo pescoço e cabelos, e foi surpreendido pelos policiais militares quando segurava o facão no pescoço da vítima. Ao ser abordado ele disse que iria matá-la e depois se matar.
Durante a tentativa de diálogo para que o réu se desarmasse, um dos policiais aproveitou um momento de distração dele, o empurrou e fez com que soltasse a vítima e o facão. Ele foi preso em flagrante, enquanto a mulher foi levada ao hospital para atendimento médico.
Vai recorrer
O Ministério Público entendeu que a vítima sofreu lesão corporal de natureza grave e o denunciou por tentativa de feminicídio. O Júri foi presidido pelo juiz Danilo Brait, que determinou o regime semiaberto para o início do cumprimento da pena, além de conceder ao réu o direito de apelar em liberdade.
Adelmo Pinho já adiantou que vai recorrer, pedindo o aumento da pena e que seja determinado o regime fechado para início do cumprimento.
