O maquinista Hélio Miranda Fernandes, 45 anos, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça de Araçatuba e teve a denúncia por dupla tentativa de feminicídio qualificado aceita na tarde de ontem.
Ele estava preso temporariamente desde o último dia 8, acusado de tentar matar a ex-companheira, uma empregada doméstica de 45 anos, e a filha dela, uma adolescente de 13 anos, com golpes de marreta.
Para o promotor de Justiça Adelmo Pinho, os crimes foram praticados com emprego de meio cruel, por ter causado às vítimas intenso e desnecessário sofrimento, “ao agredi-las inúmeras vezes com uma marreta, revelando malvadez e brutalidade fora do comum”.
Os crimes aconteceram na noite de 4 de março, na residência da família, no bairro Planalto, em Araçatuba.
Após sete anos de casado, naquela mesma manhã, a mulher relatou ao acusado que queria se separar, devido às constantes ameaças que sofria por parte dele e pela suspeita de que ele teria abusado sexualmente da filha dela.
No início da noite, ao retornar da igreja, ela telefonou para outra filha dela para saber se havia desocupado a casa que havia cedido, pois morava de aluguel com o marido, e desejava sair de casa.
Ao ouvir a conversa, o maquinista pegou a marreta e passou a agredi-la com vários golpes, a maioria na cabeça, fazendo com que perdesse os sentidos.
Enteada
Ainda de acordo com a denúncia, o ataque foi presenciado pela adolescente, que tentou conter o padrasto. Porém, ele conseguiu escapar e também a agrediu na cabeça com um golpe de marreta.
A menina usou um celular para tentar pedir ajuda, mas o padrasto tomou o aparelho da mão dela e ainda a agrediu com um soco no rosto. Com o golpe, ela perdeu as forças e desmaiou.
Ao retomar os sentidos, a adolescente tentou novamente pedir socorro usando o celular, mas foi golpeada outra vez pelo denunciado, que bateu com a marreta nas costas dela, derrubando-a ao chão.
Após as agressões, ele fugiu e a adolescente conseguiu chamar a polícia e o resgate, que socorreu mãe e filha, levando-as para a Santa Casa local.
Grave
Consta na denúncia que a dona de casa permaneceu internada por cinco dias e laudo preliminar aponta que ela precisou usar cadeira de rodas.
Para a promotoria de Justiça, os feminicídios não foram consumados porque as vítimas receberam atendimento médico. No caso da dona de casa, Pinho argumenta que ele só não continou as agressões por acreditar que ela já havia morrido.
“Os crimes foram praticados por razões da condição do sexo feminino, vez que o denunciado é casado com a vítima e é padrasto da adolescente”, cita a denúncia.
O réu poderá ser pronunciado enviado para julgamento por Júri Popular.