Justiça

MP denuncia dona de depósito de bebidas e mais 2 por assassinato

A denunciada teria pago R$ 15 mil para os outros dois réus matarem Nathan Felipe Bernardes Machado, para vingar a morte do pai dela; babá de 19 anos foi colocada em liberdade

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
11/01/22 às 19h40
Justiça aceitou a denúncia e irá decidir se os réus serão enviados para julgamento pelo Tribunal do Júri (Imagem: Ilustração)

O Ministério Público em Araçatuba (SP) denunciou a comerciante Taíse Rodrigues Carvalho, 35 anos, e João Paulo Nascimento Jacinto, por participação no assassinato do jovem Nathan Felipe Bernardes Machado, 19, ocorrido 4 de fevereiro do ano passado, na Travessa das Araras, 70, no bairro Aviação.

Carlos Augusto Rodrigues do Prado já havia sido denunciado pelo mesmo crime, mas agora a Promotoria de Justiça aditou a denúncia, por ter sido identificado o envolvimento dos outros dois acusados no homicídio.

De acordo com a denúncia, a investigação apurou que Taíse, que é dona de um depósito de bebidas, teria contratado a dupla por R$ 15 mil para matar o jovem, como forma de vingar a morte do pai dela, o funileiro Olair de Souza Carvalho, 56.

Ele foi morto a tiros em outubro de 2018, e o pai de Nathan, o auxiliar de mecânico Cleber Anderson Machado, 40, está preso acusado do crime. Ele foi denunciado pela autoria do crime e irá a julgamento por homicídio qualificado denunciado em 23 de fevereiro.

Prisão

O promotor de Justiça Adelmo Pinho também representou pela decretação da prisão preventiva de Taíse, que é considerada foragida, e de João Paulo, que já estava preso por outros crimes. As prisões foram decretadas.

Já com relação a babá de 19 anos, filha de Carlos Augusto, que foi presa temporariamente no início de dezembro por suposta participação no crime, o promotor entendeu que ao menos por ora, é caso de arquivamento da denúncia com relação a ela.

A polícia apurou que ela teria participado diretamente do assassinato ao levar a vítima para o local do homicídio. A informação foi dada por João Paulo, que declarou em depoimento que ela sabia do assassinato.

Porém, tanto a jovem como o pai dela alegaram que ela não tinha conhecimento de que o jovem seria assassinado. A reportagem apurou que o alvará de soltura foi expedido pela Justiça e ela foi colocada em liberdade na última sexta-feira (7).

Assassinato

Consta na denúncia que após ter o pai assassinado, por desentendimento anterior com Nathan, Taíse resolveu contratar Carlos Augusto por R$ 15 mil para vingar a morte. Ele teria aceito o serviço, recebido o valor antes da execução do homicídio e oferecido R$ 5 mil a João Paulo para ajudá-lo, o que também teria sido aceito.

Naquela noite, Carlos Augusto teria pedido à filha dele para levar a vítima ao local do crime, sob o argumento de que precisava falar com ela urgente. Ele armou-se com uma pistola calibre 380, buscou João Paulo na casa dele e foram juntos em um veículo Honda City ao encontro de Nathan.

O jovem estaria de bicicleta quando foi surpreendido pelos, agora, réus. Ao vê-lo, João Paulo teria descido do carro, sacado a pistola e passado a disparar contra ele, que mesmo ferido teria fugido. Porém, foi acompanhado por João Paulo, enquanto Carlos Augusto os seguiu com o veículo.

Execução

Quando Nathan caiu no asfalto ele teria sido alcançado por João Paulo, que fez novos disparos contra ele antes de fugir com o comparsa. O jovem chegou a ser socorrido e internado. Foram constatados nove ferimentos por disparo de arma de fogo no corpo dele, que não resistiu.

Para o Ministério Público, o crime foi duplamente qualificado, cometido mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Consta na denúncia que em 2 de julho do ano passado, durante cumprimento a mandado de busca e apreensão, Carlos Augusto foi preso em flagrante em posse da pistola calibre 380 utilizada no crime.

Exame de confronto microbalístico apontou que dois projéteis, uma camisa de projétil e nove estojos encontrados no local do crime foram disparados pela arma encontrada com ele. Além disso, os dois confessaram a autoria do crime em depoimento à polícia.

Agora a Justiça irá decidir se os três serão enviados para julgamento pelo Tribunal do Júri.

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