Justiça

MP pede à polícia de Birigui que investigue possíveis crimes praticados pelo Grupo DOK

Determinação para instauração de inquérito atende pedido de escritório representante de fundos de investimento, que na semana passada protocolou notícia crime denunciando possível fraude por parte da empresa

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
25/01/23 às 16h30

A Promotoria de Justiça de Birigui (SP) requisitou nesta quarta-feira (25), que a Polícia Civil instaure inquérito para investigar possíveis crimes praticados pelo Grupo DOK, dono das marcas Ortopé e Dijean, que alega dívida de aproximadamente R$ 400 milhões e prepara a apresentação de um pedido de recuperação judicial.

A determinação no Ministério Público atende pedido do escritório FZ Advogados, que na semana passada protocolou uma notícia crime contra o grupo calçadista, assinada pelos advogados Felipe Canto Zago e Ricardo Ferraz, representando diversos fundos de investimento.

Além da instauração de inquérito policial para apuração dos possíveis crimes, a Promotoria de Justiça também atendeu a solicitação e determinou que cópias da representação e dos documentos sejam encaminhadas à Secretaria Estadual da Fazenda, para conhecimento e devidas providências.

No despacho, o Ministério Público cita que após a instauração de inquérito a autoridade policial deve analisar a necessidade de eventual quebra de sigilos fiscal e bancários. “As demais medidas cautelares deverão ser requeridas, em sendo o caso, durante as investigações ou quando do oferecimento de eventual ação penal”, consta no despacho.

Suposta fraude

Conforme divulgado pelo Hojemais Araçatuba , credores do Grupo DOK denunciaram que a suposta fraude foi descoberta a partir de análise de milhares de duplicatas simuladas emitidas em nome de grandes varejistas, como as Lojas Riachuelo, que teve a emissão de mais de 1.400 notas fiscais em operações inexistentes, movimentando R$ 20 milhões.

Outros clientes do grupo foram consultados e teriam constatado o mesmo tipo de procedimento, mediante simulação de vendas. Empresas como a C&A e as Lojas Renner também teriam informado desconhecer notas emitidas em nome delas.

Carimbos

Para viabilizar a suposta fraude, teriam sido utilizados carimbos falsos para simular a emissão de notas falsas. Como a emissão de notas de mercadorias que de fato não foram produzidas e fornecidas devem gerar a cobrança de tributos, como alíquota de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e tributos federais a serem pagos por substituição tributária.

Por isso foi solicitado que as informações sejam compartilhadas com a Secretaria de Estado da Fazenda. Cópias de canhotos de notas fiscais que seriam fraudulentas, com carimbos falsos, foram anexadas à notícia crime.

Planejado

A Promotoria de Justiça de Birigui foi informada que a partir de dezembro de 2022, quando o suposto esquema fraudulento foi descoberto, a empresa teria afastado o então responsável financeiro do grupo e o irmão dele, por graves problemas financeiros.

O pai deles teria assumido o comando do grupo e contratado a consultoria financeira para ajuizamento de ação de recuperação judicial. Diante de tudo isso, existe a suspeita de que as supostas fraudes foram planejadas já com a finalidade de obter vantagem mediante a recuperação judicial, segundo a denúncia.

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