Que a internet é grande aliada para o aprendizado significativo é fato, mas uma coisa intrigante acontece nas faculdades e universidades: o excesso de regras e obstáculos para uso de redes wi-fi. Vou abordar somente o cenário do ensino superior, porque na esfera anterior a problemática é bem maior.
Sinal fraco, conteúdo restrito, processos de autorização de acesso morosos e, para piorar, em alguns casos extremamente reativos, restrição aos alunos para uso de celulares.
Não sei ao certo qual a proporção disso na totalidade entre as faculdades, mas, por experiência própria, pude sentir na pele a dificuldade de acesso à rede ao liderar workshops e proferir palestras sobre startups, tecnologias ágeis, inovação e outros assuntos dependentes diretamente desse indispensável recurso de acesso a informação. E foram diversas faculdades localizadas no oeste paulista, mais do que dez somente neste ano.
A pergunta que sobe é a seguinte: Qual o motivo disso? Preparei aqui uma listinha de possíveis possibilidades:
1. Falta de recursos financeiros? Não sei não, pouco provável, só se for uma desculpa estilo passa moleque*.
2. Preocupação que os alunos dispersem atenção na aula? Humm, isso colocaria em risco a competência do professor.
3. Acesso a conteúdo ou atividade suspeita? Pode ser, e nossa legislação infelizmente transfere responsabilidade para o meio e não para o agente do crime – mas isso pode ser resolvido através de mecanismos de registro de atividades na rede, então, também não tem potencial para ser motivo.
Enfim, a conclusão seria controle e medo. Controle sobre conhecimento e medo de perder o cliente para a grande “biblioteca” global.
O primeiro motivo foi eficaz na era industrial, hoje o mundo é colaborativo, a educação deve se atualizar. Condé - o filósofo, disse há pouco, que a educação tem que voltar sua atenção para a imagem (tratarei disso em outro artigo). O segundo, mais factível, sem alunos presenciais estruturas inchadas não sobrevivem, tal como leitos vazios em hospitais - não recebem recursos.
Importante não tratar educação como se trata saúde. Torço, sinceramente, que estatísticas derrubem minha percepção.
*Passa moleque é uma expressão coloquial de conotação a enganar alguém.
* Cássio Betine é pós-graduado em Tecnologias na Aprendizagem; CEO da F7Digitall; fundador da IntecBirigui; community leader da Startup Weekend e Walking Together; organizador de meetups; autor de títulos literários sobre tecnologia, economia e mercado e autor periódico de artigos e podcasts; membro de conselhos municipais de Ciência e Tecnologia e de Turismo.