Opinião

Primeiro chip cerebral é implantado com sucesso em um paciente humano

"Além de curar pessoas com problemas motores, esses chips neurais podem melhorar a memória, a aprendizagem, a inteligência e as habilidades sensoriais"

Cássio Betine
04/02/24 às 08h43
Imagem gerada por DALL-E orientada por f7digitall

O dispositivo, chamado Telepathy, da empresa Neuralink de Elon Musk, é um dispositivo implantável que se conecta ao cérebro humano por meio de eletrodos ultrafinos. O objetivo do chip é permitir a comunicação direta entre o cérebro e dispositivos eletrônicos, como computadores, smartphones ou próteses. O chip usa algoritmos de inteligência artificial para decodificar os sinais neurais e traduzi-los em comandos digitais e também pode enviar estímulos elétricos ao cérebro, criando sensações artificiais ou modificando o humor. 

O chip telepathy, recém-implantado no cérebro de uma pessoa tetraplégica, é considerado uma tecnologia revolucionária que pode curar doenças neurológicas e ampliar as possibilidades de integração cérebro-máquina.

Já faz um tempo que essa tecnologia vem sendo desenvolvida, mas os testes só podiam ser realizados em animais. Agora, com autorização da FDA (Food and Drug Adminstration), uma espécie de Anvisa norte-americana, o voluntário humano pode receber o implante, e, segundo a empresa, ele responde bem e já há sinais de resultados positivos.

A preocupação da agência era sobre os riscos à saúde do paciente, como superaquecimento dos implantes no tecido neural, por exemplo. Após resolver essas questões, a empresa de Elon Musk obteve a autorização e deu andamento ao procedimento.

A ideia da Neuralink é auspiciosa. Eles pretendem recuperar totalmente os movimentos dessas pessoas com problemas motores. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 15% da população mundial vive com algum tipo de deficiência, sendo que as deficiências motoras representam uma parcela significativa desse grupo. Um estudo de 2011 estimou que 190 milhões de pessoas tinham uma deficiência motora grave, o que corresponde a 2,7% da população mundial na época. Portanto, é uma ideia que pode ajudar muita gente.

A grande questão é que o primeiro passo foi dado, levando-se em consideração todos os problemas éticos e morais de uma sociedade global, porém, esse tipo de inovação abre caminho para diversas outras soluções clínicas voltadas para melhoria e ampliação do tempo de vida do ser humano.

Além de curar pessoas com problemas motores, esses chips neurais podem melhorar a memória, a aprendizagem, a inteligência e as habilidades sensoriais. Por exemplo, um chip neural poderia permitir que uma pessoa aprendesse um idioma novo em poucos minutos, ou que experimentasse sensações que não são possíveis com os sentidos naturais. Também poderiam ser usados para tratar doenças neurológicas, como Alzheimer, Parkinson, epilepsia e depressão.

Contudo, apesar de todos os problemas que envolvem segurança, privacidade e responsabilidade em relação ao uso desses dispositivos, a questão a ser considerada de fato, é que acabamos de entrar numa nova era da biotecnologia que, com certeza, vai mudar a vida e o comportamento da humanidade daqui em diante.

Foto: Reprodução

*Cássio Betine é head do ecossistema regional de startups, coordenador de meetups tecnológicos regionais, coordenador e mentor de Startup Weekend e pilot do Walking Together. Cássio é autor do podcast Drops Tecnológicos

**Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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