Opinião

Soldados sendo artistas

"No teatro Thathi, foi um palco de êxtase, onde todos riam, felizes, corporação e plateia, como exemplo de que a utopia da pacificação é possível"

Hélio Consolaro*
11/07/24 às 10h57
Foto: Divulgação

No dia 4 de julho de 2024, quinta-feira, quem passasse pela rua General Glicério de Araçatuba, defronte ao Centro Cultural Thathi (antigo Cine Pedutti) estranharia a presença de tantas viaturas da Polícia Militar do Estado de São Paulo. E ao fundo, lá de dentro, uma voz masculina cantando Boate Azul.  

Quem foi homenagear os 50 anos da Banda Regimental de Música do CPI-10, Araçatuba, com a presença do Corpo Musical da Polícia Militar do Estado de São Paulo, pensou que fosse encontrar dobrados ou músicas apenas orquestras. Foi muito diferente, apenas músicas populares que foram cantadas com a plateia. 

Militares fardados cantaram como verdadeiros artistas. Executaram músicas de filmes, depois uma sequência de Tim Maia que, com certeza, em sua vida, fugira da polícia, foi homenageado. Roupa Nova. Várias músicas sertanejas, e para disfarçar que a coisa era séria, cantou-se uma música gospel. E a plateia ia ao delírio.

Uma apresentação especial comoveu os presentes, uma performance de Elvis Presley, chegando a ser um cover. Nessa apresentação, o militar se fantasiou como o cantor norte-americano, sem farda. Distribuiu lenços mil para a plateia, como fazia o verdadeiro Elvis. E para não fugir ao padrão, um dos cantores pediram para que todos acendessem a lanterna de seus celulares.

Durante o espetáculo, em vez de armas de fogo, os soldados traziam a punho instrumentos musicais em seus estojos. Pareciam soldados brincando de criança. Ficou provado que a paz é possível.

Certamente, o militar da banda, do corpo musical, já tinha essa formação quando se engajou, coube ao comandante separar o bloco de quem sabia tocar algum instrumento e formar uma corporação musical. 

Aqueles militares músicos não perseguem bandidos nas ruas, só extraordinariamente. Ser músico é até uma forma de o soldado se proteger da violência da ação policial, ficar nos serviços administrativos

No teatro Thathi, foi um palco de êxtase, onde todos riam, felizes, corporação e plateia, como exemplo de que a utopia da pacificação é possível. Havia muita gente da família militar presente, mas não era só. Eu e a Fátima estávamos lá para ouvir música.

Está provado de que a arte humaniza a pessoa, deixa-a mais sensível, abre as portas do emocional. Policiais são pessoas que não podem se contaminadas pelo ódio.

Foto: Reprodução

*Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Membro das academias de letras de Araçatuba-SP, Andradina-SP, Penápolis-SP e Itaperuna-RJ

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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