Com nove votos, a Câmara de Birigui (SP) aprovou, na sessão desta terça-feira (24), subemenda ao projeto de lei complementar que institui complemento salarial aos profissionais do magistério, mesmo após parecer jurídico contrário à emenda protocolada por um grupo de vereadores com praticamente o mesmo texto.
A alegação dos vereadores é que as alterações propostas são inconstitucionais apenas por não ter partido do Executivo, que, por sua vez, não teria feito o projeto adequado.
O projeto original, apresentado pelo Executivo, institui complemento salarial aos profissionais do magistério da Educação Básica Pública que recebem abaixo do piso salarial nacional previsto para a categoria. A medida atende deliberação do próprio MEC (Ministério da Educação e Cultura), para que, a partir de 1º de janeiro, nenhum desses servidores receba abaixo do valor fixado, que é de R$ 3.845,63 para jornada de 40 horas semanais.
Na justificativa do projeto, a administração municipal informa que, atualmente, estão com padrões de vencimento abaixo do piso nacional 112 servidores dos cargos de Educador de CEI (Centro de Educação Infantil) e um profissional ocupante do cargo de Orientador Pedagógico de CEI. O valor total mensal do complemento a ser custeado pela Prefeitura soma pouco mais de R$ 74 mil.
Modificações
Já a subemenda aprovada, protocolada às 10h36 de ontem na Casa de Leis, em sua ementa, dispõe sobre a instituição de complemento salarial para cumprimento do piso salarial profissional nacional para os professores do magistério da educação básica.
O texto determina também o piso salarial nacional para as servidoras ocupantes do cargo de babá nível 2, por executar funções idênticas ao educador de CEI, proporcional à jornada de trabalho de 32 horas semanais; e também aos ocupantes dos cargos de educador de CEI e orientador pedagógico de CEI, também proporcional às suas respectivas jornadas de trabalho (de 32 e 40 horas semanais).
A emenda ficou prejudicada pela aprovação da subemenda e não foi submetida à votação do plenário.
Extrapola
O vereador Everaldo Santelli (PV) usou a tribuna para explicar que o projeto enviado pelo Executivo passou pela Casa e pelo Jurídico, estava constitucional e legal. No entanto, a emenda protocolada pelos vereadores foi considerada ilegal e inconstitucional e a subemenda estaria na mesma característica da emenda, sem parecer jurídico novamente.
“Extrapola o poder de emenda do vereador e aumenta despesa do município (...) Quem pode fazer aumento salarial de categoria profissional é o Executivo e não o vereador”, resumiu, alertando para o risco de os vereadores e os beneficiados (no caso, os professores) responderem judicialmente, podendo até ter de devolver o que receber com bens.
Opinativo
André Luis Moimas Grosso, o André Fermino (PSDB), alegou que o parecer jurídico é totalmente opinativo e não determina o voto do vereador. “Estamos corrigindo um projeto que foi mandado errado e uma defasagem para os professores. A ilegalidade sobre a primeira emenda é sobre quem está propondo, que somos nós vereadores, e deveria ser feita pelo prefeito (Leandro Maffeis-PSL)”, disse.
Ele disse ainda que o prefeito teve quatro semanas para corrigir o projeto e não o fez. “Se tiver alguma ação de inconstitucionalidade ou se o prefeito quiser vetar lá na frente, que ele faça isso e se entenda com os professores”, finalizou, pedindo voto favorável.
Segundo Wagner Mastelaro (PT), a proposta da emenda e subemenda foi acatada pelo grupo após ter sido procurado por professores e pelo Sisep, o sindicato da categoria. A medida teria sido tomada porque faltou abertura da parte da Prefeitura para discutir a situação.
“Vetando ou entrando com ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) eu convoco a categoria dos professores para entrar na Justiça com uma ação coletiva exigindo seus direitos”, resumiu Mastelaro.
Autoria
Tanto a emenda como a subemenda são de autoria da vereadora Sidnei Maria Rodrigues, a Si do Combate ao Câncer (Avante), com as assinaturas de Andre Luis Moimas Grosso, o Andre Fermino (PSDB), Cléverson José de Souza, o Tody da Unidiesel (Cidadania), Fabiano Amadeu (Cidadania), José Luis Buchalla (Patriota), Marcos Antonio dos Santos, Marcos da Ripada (PSL), Osterlaine Henriques Alves, a Dra. Osterlaine (DEM), Paulo Sergio de Oliveira, o Paulinho do Posto (Avante), Wagner Mastelaro (PT) e Wesley Ricardo Coalhato, o Cabo Wesley (PSL).
O texto com as alterações foi aprovado com nove votos. Os vereadores Everaldo Santelli (PV), Valdemir Frederico, o Vadão da Farmácia (PTB), e Benedito Dafé Gonçalves Filho (PSD) se abstiveram. Reginaldo Fernando Pereira, o Pastor Reginaldo (PTB), e Si do Combate ao Câncer não participaram da reunião por problemas de saúde.
Dezenas de professores compareceram novamente à reunião para pressionar pela aprovação do texto com as modificações.
