A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) divulgou, nesta terça-feira (2), a publicação Desafios de Inteligência – Edição 2026 , documento que reúne as principais ameaças previstas para o próximo ano e que devem orientar a estratégia nacional de segurança. Entre os riscos apontados, destacam-se as preocupações com a integridade do processo eleitoral de 2026 e o avanço de ataques cibernéticos cada vez mais sofisticados, especialmente aqueles impulsionados por inteligência artificial (IA).
Segundo a Abin, o ano eleitoral será marcado por ameaças “complexas e multifacetadas”, que envolvem possíveis tentativas de deslegitimação das instituições democráticas, disseminação de desinformação em larga escala, influência do crime organizado em determinados territórios e riscos de interferência externa com interesses geopolíticos. O documento relembra que episódios como os ataques de 8 de janeiro de 2023 evidenciaram como movimentos de massa podem ser manipulados, exigindo maior vigilância.
No campo tecnológico, o relatório alerta para a rápida evolução da inteligência artificial, que pode se tornar capaz de executar ataques autônomos, adaptáveis e de difícil contenção. A necessidade de migração para a criptografia pós-quântica também é considerada urgente, já que o avanço da computação quântica poderá tornar obsoletos os sistemas atuais de proteção de dados. A Abin aponta ainda que a dependência de hardwares estrangeiros e o domínio das big techs sobre dados e serviços digitais representam vulnerabilidades estratégicas para o Brasil, podendo comprometer a soberania digital do país.
O cenário geopolítico é descrito como de “multipolaridade desequilibrada”, marcado pela competição direta entre Estados Unidos e China. A reconfiguração das cadeias globais de suprimentos, intensificada após a pandemia e pelas disputas econômicas entre as duas potências, afeta diretamente o Brasil, que depende tanto da China para manter seu superávit comercial quanto de tecnologias e investimentos oriundos de países ocidentais.
A publicação também destaca riscos climáticos, lembrando que 2024 foi o ano mais quente já registrado e trazendo exemplos recentes, como a seca amazônica e as inundações no Rio Grande do Sul. Os impactos vão de prejuízos anuais bilionários a vulnerabilidades no sistema energético, devido à redução dos “rios voadores”, além de ameaça crescente à segurança alimentar, com projeções de piora de pragas agrícolas nas próximas décadas.
No campo demográfico, o relatório aponta a combinação entre o envelhecimento da população, queda da taxa de fecundidade e migração de profissionais qualificados como elementos que podem impactar a economia, os serviços públicos e a segurança nas fronteiras. A intensificação da competição internacional por talentos e a crescente pressão por recursos estratégicos, como lítio e terras raras, também devem moldar o ambiente de segurança nacional.
Com a divulgação da publicação, a Abin busca oferecer transparência e reforçar sua função de assessorar a Presidência da República na formulação de políticas e ações preventivas, em um momento de rápidas mudanças tecnológicas, climáticas e geopolíticas que ampliam os riscos diretos e indiretos para o Estado brasileiro.
Com informações de Agência Brasil.
