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Mais da metade das mulheres presas em MS sofreu violência doméstica, aponta Defensoria

Pesquisa ouviu 488 mulheres, incluindo internas do estabelecimento penal feminino de Três Lagoas

Da redação - Com informações da Defensoria Pública de MS
29/10/26 às 17h02
Apresentação dos dados foi realizada na última quarta-feira (28/10) (Divulgação/Defensoria Pública de MS)

Mais da metade das mulheres privadas de liberdade em Mato Grosso do Sul já sofreu violência doméstica antes de ser presa. O dado faz parte de uma pesquisa da Defensoria Pública de MS que ouviu 488 mulheres em seis estabelecimentos penais do interior, entre eles o de Três Lagoas.

Segundo o levantamento, 56,5% das entrevistadas relataram ter sido vítimas de violência doméstica antes da prisão. O estudo também aponta que 39,3% sofreram violência ou abuso sexual durante a infância ou adolescência.

A pesquisa foi realizada entre novembro de 2025 e julho de 2026 pelo Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem), em parceria com a Coordenadoria de Pesquisas e Estudos (CPES).

Além de Três Lagoas, participaram do levantamento unidades femininas de Rio Brilhante, São Gabriel do Oeste, Corumbá, Ponta Porã e Jateí.

O diagnóstico mostra ainda que 70,5% das mulheres entrevistadas se autodeclararam negras, 86,7% são mães e 80,5% contribuíam para o sustento de outra pessoa antes da prisão.

Outro ponto levantado pela Defensoria é a violência dentro do próprio sistema prisional. Cerca de 20,1% das entrevistadas disseram ter sofrido algum tipo de violência durante o cumprimento da pena. Entre as 98 mulheres que relataram essas situações, 55 apontaram agentes do Estado como autores das agressões.

Maternidade

A pesquisa também traçou um perfil da maternidade entre as internas. Do total entrevistado, 86,7% têm filhos e 77,3% tiveram o primeiro filho antes dos 20 anos.

O levantamento apontou ainda dificuldades relacionadas à saúde sexual e reprodutiva. Segundo as entrevistadas, 58,6% não tiveram acesso a métodos contraceptivos durante a prisão e 53,7% não receberam informações sobre direitos sexuais e reprodutivos.

Para a coordenadora do Nudem, defensora pública Kricilaine Oliveira Souza Oksman, os dados ajudam a compreender as trajetórias das mulheres e as dificuldades enfrentadas antes e durante o período de encarceramento.

A pesquisa foi apresentada nesta quarta-feira (28), na Escola Superior da Defensoria Pública, em Campo Grande, durante o evento “Diagnóstico com perspectiva de gênero e atendimento pelo Nudem das mulheres que cumprem pena no regime fechado – Etapa de Interiorização”.

Os resultados devem servir de base para o planejamento de novas ações da Defensoria, além do aperfeiçoamento do atendimento jurídico e da discussão de políticas públicas voltadas às mulheres privadas de liberdade.

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