O Tribunal do Júri de Araçatuba (SP) se reúne nesta quinta-feira (13), para o julgamento do caminhoneiro Bruno Henrique Brandão, 37 anos, pelo assassinato da companheira dele, Evelyn Souza, 41, crime ocorrido em março de 2025, na casa dela.
O caso teve grande repercussão, pois após o corpo ser encontrado em um canavial, o réu foi identificado como autor do crime e, ao ser questionado, confessou que teria matado a vítima estrangulada, após uma discussão por causa do carro dela.
Consta na denúncia que o casal mantinha relacionamento amoroso e Evelyn já havia sido agredida fisicamente por ele diversas vezes. Em 2 de março de 2025, após nova discussão, Brandão a agrediu com um soco no rosto, fazendo com que caísse no chão. Na sequência, ele apertou o pescoço da companheira, vindo a matá-la por asfixia mecânica.
Ainda de acordo com a denúncia, o réu utilizou o veículo Nissan Kicks, pertencente a Evelyn, para levar o corpo até um canavial às margens da rodovia Elyeser Montenegro Magalhães (SP-463), onde o jogou em um canavial.
Localizado
O cadáver foi encontrado somente no dia 5 de março, ou seja, três dias após ser desovado, por um trabalhador rural. Diante do encontro, policiais militares iniciaram diligências, pois já havia sido comunicado o desaparecimento de uma mulher.
Coincidentemente, Brandão havia sido abordado com o carro da vítima no dia 3 março, após denúncia de que ele teria sido visto armado e sujo de sangue, em um bar na rua do Fico. Como nada de irregular foi encontrado com ele na ocasião e ainda não havia informações sobre o assassinato, ele foi liberado.
Em casa
Porém, a polícia registrou o endereço dele e uma equipe foi ao local, onde o réu foi encontrado, confessou ter matado Evelyn e levou os policiais onde havia deixado o corpo. Ele também apresentou uma camiseta com vestígios de sangue, que seria a que ele vestia no dia do crime.
A polícia também teve acesso ao carro da vítima e, durante vistoria, encontrou manchas de sangue e objetos pessoais dela. Levado à delegacia, ele confessou o assassinato com detalhes ao prestar declarações e foi preso em flagrante pelo feminicídio e pela ocultação de cadáver.
Carro
Em depoimento, Brandão disse à polícia que convivia com a vítima havia 2 anos e que no domingo do assassinato, a discussão aconteceu porque Evelyn teria dito que o carro era dela, mas ele teria afirmado que era do casal. “Não sei explicar quando eu vi tinha dado um murro na Evelyn, ela caiu mas ainda estava respirando, não sei porque passei a apertar sua garganta até que ele parou de respirar. Vi que não tinha mais jeito. Mas não era eu, não queria fazer aquilo” , declarou.
O réu alegou ainda que ficou desesperado e, sem saber o que fazer, pegou o carro da vítima e levou o corpo para o canavial, para escondê-lo. Disse ainda que ao confirmar que a vítima estava morta, pegou uma faca e passou nos próprios pulsos, mas a faca não entrava.
Por fim, afirmou que fez tudo sozinho e, após o crime, ficou bebendo e esperando pela polícia, pois sabia que o corpo seria encontrado, já que não queria fugir e não o enterrou, por estar arrependido.
Julgamento
Brandão foi denunciado por homicídio qualificado, cometido por razões da condição do sexo feminino, envolvendo violência doméstica e familiar, que o feminicídio. Outra agravante é que a morte foi com emprego de asfixia e que a vítima deixou dois filhos adolescentes e uma criança. Além disso, também será julgado pela ocultação do cadáver.
Ele não quis se pronunciar em juízo após ser denunciado e a defesa requereu a impronúncia, mas em caso de denúncia, pediu a desclassificação do crime para homicídio culposo.
Os pedidos não foram aceitos e a Justiça determinou que o réu fosse a julgamento pelo Tribunal do Júri. Ele permanece preso e a sessão acontece a partir das 9h, no Fórum de Araçatuba.
