A Justiça de Mirandópolis (SP) condenou seis réus investigados na “Operação Laços de Família” , que foi deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público em agosto de 2025, contra acusados de integrar núcleos criminosos ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital), que estariam envolvidos com o tráfico de drogas em presídios da região de Araçatuba.
A maior pena foi para Rudney Vinicius Ferreira, condenado a 11 anos, 6 meses e 7 dias. Outros quatro réus foram condenados a 10 anos, 10 meses e 20 dias cada e, Mariana Maia de Martini, a 9 anos e 4 meses de prisão. A sentença foi proferida na terça-feira (28) e a Justiça manteve a prisão preventiva dos réus, que responderam por todo o processo na prisão. Assim, não terão direito de recorrer em liberdade.
Investigação
Conforme divulgado na ocasião, a operação foi resultado de investigações que revelaram que há anos o grupo manteria uma estrutura organizada voltada ao tráfico de drogas, para abastecer com entorpecentes as unidades prisionais da região.
O nome dado à operação reflete justamente o caráter permanente e estável dos vínculos familiares que sustentavam a suposta organização criminosa, conferindo durabilidade, expansão e maior dificuldade para repressão estatal.
Na ocasião, a Promotoria de Justiça contou com apoio de policiais civis e militares para cumprir 19 mandados de prisão temporária em Mirandópolis, um de prisão preventiva em Araçatuba e 23 mandados de busca e apreensão. Um dos alvos em Mirandópolis morreu baleado ao resistir à abordagem.
Esquema
A investigação apontou que o grupo teria três núcleos distintos, estruturados com fortes vínculos familiares, transmitidos de geração em geração, o que garantia estabilidade e expansão contínua no tráfico.
Segundo o Gaeco, essa “blindagem familiar” favorecia a cooperação com a facção paulista atuante no sistema prisional, já que parte dos investigados cumpriu pena em presídios da região e manteria atuação ativa, implementando um esquema de infiltração de drogas dentro das unidades prisionais.
Condenação
A reportagem apurou que consta na sentença que um imóvel na rua Júlia Baldoni Cabrini seria utilizado para comercialização de entorpecentes, com diligências policiais identificando o fato ao longo de quase dez anos, culminando com a operação deflagrada pelo Gaeco.
Foram citados diversos boletins de ocorrência relacionados a esse local como ponto de comercialização de drogas, além de registros nos livros da Polícia Militar. O delegado de polícia da cidade também confirmou isso em depoimento judicial.
Materialidade
Consta ainda na sentença que ficou comprovada a existência de associação estável, reiterada e permanente entre os réus, com base em diálogos extraídos das interceptações telefônicas.
A investigação apontou que Angelo e Diovane coordenavam a estrutura da associação criminosa, enquanto Mariana, Rudney, Fernando e Jonathan negociavam com usuários os entorpecentes que recebiam dos dois.
“Evidente, diante do conjunto probatório dos autos, que havia quadra estável entre os agentes que, voluntariamente, se uniram para a prática de um número indeterminado de atos de traficância, e que efetivamente vieram a praticar tais atos por reiteradas vezes” , cita a decisão.
