O julgamento do empresário Isac Alexandre Gaspar Pinto, 46 anos, denunciado por dupla tentativa de homicídio qualificado pela Justiça de Buritama (SP), acontecerá em 24 de agosto, no Fórum de Araçatuba. Ele irá a Júri Popular por ter tentado invadir um depósito de bebidas com uma caminhonete, crime que aconteceu na noite de 24 de agosto de 2018.
Na ação, a dona do estabelecimento foi prensada pelo veículo contra a parede e ficou vários dias hospitalizada. No entendimento do Ministério Público, um homem que a acompanhava também foi vítima de tentativa de homicídio.
Em março do ano passado a Justiça de Buritama acatou pedido da defesa do réu, feita pelo advogado Elber Carvalho de Souza, para transferir o julgamento por Júri Popular para outra comarca. Um dos argumentos da defesa foi garantir a imparcialidade no julgamento, devido à grande repercussão do caso, o que poderia gerar pressão nos jurados.
A defesa citou no pedido inclusive que o empresário teve um caminhão incendiado, ação que pode ter sido criminosa, praticada em retaliação ao caso em julgamento.
Já Promotoria de Justiça concordou com a desaforamento do Júri, para evitar o risco de se compor um Conselho de Sentença favorável ao acusado, pois uma das testemunhas teria sido intimidada durante o processo.
O empresário aguarda julgamento preso e teve atendido o pedido para trocar de roupa para participação na sessão plenária. O defensor deverá apresentar as roupas que serão utilizadas por ele, antes do início dos trabalhos, marcado para as 9h, no Fórum de Araçatuba.
Crime
Consta na denúncia que naquela noite Gaspar Pinto estava com a mulher dele no depósito de bebidas e ela se desentendeu com uma cliente da mesa ao lado. O casal teria discutido, houve interferência de terceiros e eles deixaram o prédio.
Enquanto o casal discutia na calçada, os donos do estabelecimento fecharam a porta. O empresário teria pedido para entrar e como não foi atendido, ameaçou entrar com a camionete no prédio.
Cumprindo a ameaça ele entrou no veículo, com o qual bateu contra as portas de vidro do depósito. Após o primeiro impacto ele engatou marcha a ré e quando os donos do depósito saíam do prédio para tentar contê-lo, acelerou novamente e atingiu a comerciante, que ficou prensada na parede.
Quis matar
O Ministério Público entendeu que o empresário cometeu os crimes por motivo fútil, com meio cruel, além de ter utilizado meio que resultou em perigo comum, pois havia várias pessoas no prédio.
Foi considerado ainda que o réu utilizou recurso que dificultou a defesa das vítimas, principalmente da mulher, que não morreu por ter sido levada ao hospital, onde permaneceu vários dias internada. Ela foi submetida a diversas cirurgias.
A defesa alega que o atropelamento foi involuntário, pois o empresário não teria tido a intenção de ferir ou matar as vítimas.
