O Tribunal do Júri de Araçatuba (SP) se reúne nesta quarta-feira (6) para o julgamento de Clayton Jesse Felício de Moraes Valentim, também conhecido como 'Cleitinho', 'Tio Beca', 'Tio Blay', 'Tio Black' ou 'Two Pac’.
Ele foi denunciado por tentativa de homicídio duplamente qualificada por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da vítima, um vizinho dele, que teve a casa invadida e foi atacado com golpes de faca.
Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime aconteceu em 4 de abril de 2015, pouco depois das 20h, na rua Airton José Felipine, bairro Concórdia. A vítima teria saído de casa para colocar o lixo na rua, vestindo apenas cueca, justamente no momento em que passava pelo local a filha do réu, acompanhada de dois amigos.
Quando chegou em casa a menina e os amigos contaram o ocorrido ao pai dela, que ficou revoltado, acreditando que a filha dele havia sido assediada. Acompanhada de outro homem que não foi identificado, ele arrombou o portão da casa da vítima e também a porta da sala.
Agressões
O jovem estava deitado na cama dele quando foi atacado com socos desferidos pelos dois agressores. Consta na denúncia que a vítima tentou fugir correndo para a rua, mas foi perseguida e alcançada.
Houve novas agressões, inclusive com golpes de faca, causando ferimentos na cabeça e quatro cortes nas costas do jovem. Segundo a denúncia, o ataque só teria parado com a chegada de outras pessoas no local.
Os agressores fugiram e a vítima foi socorrida e encaminhada para atendimento médico.
Júri
Após a Justiça receber a denúncia, a defesa do réu requereu o reconhecimento da incompetência do juízo, alegando que o crime apurado não seria de competência do Tribunal do Júri, pedindo a desclassificação para lesões corporais.
Entretanto, a Justiça entendeu que os locais das lesões e a quantidade de golpes não afastam a real intenção do autor, de tentar matar a vítima.
Em juízo, o réu alegou que a filha dele e outras crianças que estavam brincando na casa dele saíram para comprar sorvetes. Quando voltavam, teriam sido chamadas por um homem que disse que daria dinheiro a elas para que fossem ao circo.
Quando a menina contou o ocorrido, ele foi à casa do vizinho e o agrediu. Devido ao barulho houve aglomeração de várias pessoas que o questionaram e ele respondeu que a vítima havia assediado a filha dele, o que fez com que essas pessoas também a agredissem.
Por fim, alegou que a vítima estava nua no momento da briga, teria pego uma arma e conseguido feri-lo no braço. E que no local havia grande circulação de pessoas e a filha dele teria acompanhado o acontecido.
Apesar de mandar o réu para julgamento pelo Tribunal do Júri, a Justiça concedeu a ele o direito de aguardar em liberdade.
