Justiça

Gilmar Mendes revoga prisão domiciliar concedida a Cleudson

Polícia concluiu que laudo apresentado pelo médico atestando problemas de saúde é falso; será submetido a novo exame

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
01/05/21 às 16h16
Cleudson deve voltar para a prisão assim que a Justiça de Birigui for comunicada da decisão (Foto: Reprodução)

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, revogou a prisão domiciliar que havia concedido ao médico anestesista Cleudson Garcia Montali, réu em processos relacionados à operação Raio X. Segundo apurado pelo Hojemais Araçatuba , o relatório médico apresentado pelo réu requerendo o benefício era falso.

Na decisão, de sexta-feira (30), o ministro determina que seja restaurada a vigência dos três mandados de prisão preventiva contra Cleudson e que ele seja submetido a novo exame de saúde quando der entrada na unidade prisional. A reportagem apurou que a Justiça de Birigui, onde reside o médico e tramitam dois dos processos contra ele, ainda não havia sido notificada da decisão, por isso ele permanecia em casa. O terceiro processo tramita na Justiça de Penápolis.

Falso

Segundo o que foi apurado pela reportagem, na última terça-feira (27) a Polícia Civil de Araçatuba comunicou à Justiça sobre a falsidade do relatório médico sobre o estado de saúde do anestesista, que é acusado de chefiar suposta organização criminosa especializada em desviar dinheiro público da área da Saúde.

Ele foi preso em 29 de setembro do ano passado na Operação Raio X, em cumprimento a mandado de prisão temporária, que foi convertida em preventiva. Cleudson estava no CR (Centro de Ressocialização) de Araçatuba até o último dia 16, quando teve o direito à prisão domiciliar.

O benefício foi concedido por Gilmar Mendes, em atendimento a Habeas Corpus apresentado pela defesa do réu, que alegou problemas de saúde.

Investigação

Em 7 de janeiro, o Hojemais Araçatuba publicou matéria informando que o anestesista havia passado por atendimento médico em uma UBS (Unidade Básica de Saúde) no bairro Monterrey, em Araçatuba. Na ocasião, a SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) informou que o anestesista realizou um procedimento de rotina, comparecendo em uma consulta médica previamente agendada.

Após a consulta a Polícia Civil instaurou um inquérito e no último dia 19 realizou uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça nos endereços de dois médicos, de uma clínica e de um consultório em médico em Birigui, sendo apreendidos computadores, celulares e documentos.

Alterado

A reportagem apurou que ao analisar o material apreendido, a polícia constatou que houve alterações propositais no laudo referente ao exame de sangue, para indicar um início de anemia. Além disso, o médico que teria assinado o relatório apresentado à Justiça para concessão da prisão domiciliar para Cleudson procurou a polícia na semana passada e afirmou que a assinatura não é dele.

Diante disso, a polícia considera que o relatório médico teria sido produzido com a finalidade de enganar o Poder Judiciário, que ao ser comunicado tomou as providências para que a prisão domiciliar fosse revogada. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Cleudson. 

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