O Tribunal do Júri de Birigui (SP) irá se reunir no próximo dia 5 de abril, para julgamento do guarda municipal Vilter José Vilela, acusado de matar Jean Ciriaco da Cunha, que era gerente do posto de combustíveis onde a namorada do réu trabalhava.
O crime a aconteceu em março de 2020 e ele foi denunciado por homicídio duplamente qualificado pelo recurso que dificultou a defesa da vítima e por motivo torpe.
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público e aceita pela Justiça, a namorada de Vilela era frentista no Posto Pérola, que tinha Cunha como gerente do estabelecimento.
Consta que o réu tinha ciúmes da namorada, em função do contato diário dela com o gerente, em função do trabalho, e por imaginar que ela seria assediada por ele.
Ainda de acordo com a denúncia, o guarda municipal teria sido proibido pelo gerente de ir ao estabelecimento, por estar atrapalhando a rotina de trabalho, o que teria causado ainda mais irritação, por isso ele teria decidido matá-lo.
Abordagem
Na madrugada de 26 de março de 2020, após passar a noite na casa da namorada, Vilela levantou-se por volta das 5h30 dizendo que iria caminhar, mas foi até o posto onde a namorada dele trabalhava.
Segundo a denúncia, ele estava armado com duas pistolas, uma calibre 380 e outra calibre 7.65. O gerente do posto chegou ao estabelecimento em um Honda Civic pouco depois das 5h45 e estacionou o veículo em frente ao posto.
Logo em seguida ele foi abordado pelo réu e os dois deixaram o local no carro da vítima, que seguiu até a rua Madalena Marques Galhego, parando um pouco depois de uma subestação de energia da CPFL Paulista.
Tiros
Os dois teriam saído do veículo, sendo que o guarda municipal estaria de posse das duas pistolas. A vítima teria tentado fugir, mas foi perseguida, acompanhada e houve luta corporal. Durante a briga o gerente teria ficado sem camisa.
Ao se afastar, ele teria sido atingido por um disparo de arma de fogo, perto do braço esquerdo. Mesmo ferido, teria continuado correr, até ser alcançado próximo da esquina com a rua Sebastião Matos Sabino.
De acordo com a denúncia, o réu teria dominado a vítima e, à curta distância, feito quatro disparos, atingindo Cunha na região cervical e na cabeça, vindo a óbito no local.
Após os disparos Vilela teria retornado ao carro da vítima e fugido em seguida. Câmeras de monitoramento captaram ele caminhando pela rua José Balani. Além disso, ele teria sido visto por uma testemunha, que havia ouvido disparos de arma de fogo e depois encontrou o corpo.
Celular
Ainda de acordo com a denúncia, por volta das 6h a esposa do gerente do posto telefonou para ele, não foi atendida e ficou preocupada. Utilizando um aplicativo de rastreamento do celular ela saiu à procura do marido e deparou-se com equipe da Guarda Municipal.
Quando ela questionava os guardas se haviam visto um carro igual ao de Vilela, surgiu a testemunha, de moto, informando que havia um corpo em uma estrada de terra e um carro branco abandonado nas proximidades.
Os guardas acompanharam a esposa de Cunha até o local indicado e encontraram o corpo, que estava cerca de 80 metros distante do carro.
O celular da vítima não foi encontrado durante a perícia, mas dois dias depois, seguindo as informações do rastreador, a esposa dele encontrou o aparelho em um terreno às margens da avenida Paulo da Silva, cerca de 200 metros do local onde o corpo foi localizado.
