O Tribunal do Júri de Araçatuba (SP) se reúne nesta quarta-feira (14) para julgamento do maquinista Hélio Miranda Fernandes, 59 anos, denunciado por dupla tentativa de feminicídio qualificada, tendo como vítimas a ex-companheira e a ex-enteada dele, que foram atacadas com golpes de marreta. O crime aconteceu em 4 de março de 2019, na residência do casal, na rua Fundador Orestes Bertachini, bairro Planalto, e ele foi preso temporariamente quatro dias depois.
Segundo a denúncia, réu e vítima eram casados havia aproximadamente sete anos, não tinha filhos, mas a então esposa dele, uma empregada doméstica com 45 anos na época, tinha uma filha com 13 anos de idade.
Devido às constantes ameaças que sofria e por suspeitar que o marido teria abusado sexualmente da filha dela, na manhã daquele dia, a mulher relatou a Fernandes que pretendia separar-se. No período da noite, após retornar da igreja que frequentava, a doméstica telefonou para outra filha dela e perguntou se ela havia desocupado um imóvel pertencente a ela.
Marretadas
O marido dela teria ouvido a conversa, se armado com uma marreta e passado a golpear a mulher, atingida principalmente na cabeça, fazendo com que ela perdesse os sentidos. A filha da vítima viu as agressões e tentou defender a mãe, mas também foi atacada com um golpe de marreta na cabeça.
A adolescente conseguiu pegar um celular para tentar pedir ajuda, mas foi alcançada pelo padrasto, que pegou o aparelho e agrediu a enteada com um soco no rosto, fazendo com que perdesse as forças e caísse, desfalecida.
Ao recobrar os sentidos a menina tentou novamente pedir socorro utilizando o celular, mas foi agredida com um golpe de marreta nas costas, vindo a cair novamente. Ela só conseguiu chamar a polícia depois que Fernandes fugiu.
As vítimas foram socorridas e levadas para a Santa Casa, onde a mulher permaneceu internada por cinco dias, devido às lesões que sofreu, sendo necessário inclusive o uso de cadeira de rodas durante a recuperação.
Denúncia
A denúncia foi apresentada pelo promotor de Justiça Adelmo Pinho, que considerou que os feminicídios não se consumaram porque as vítimas receberam imediato e eficaz atendimento médico e que o réu só fugiu porque acreditou que ela estivesse morta.
A Promotoria de Justiça pede ainda que os crimes foram praticados com emprego de meio cruel, revelando malvadez e brutalidade fora do comum, e por razões da condição do sexo feminino.
Confessou
Ao aceitar a denúncia , em maio de 2019, a Justiça decretou a prisão preventiva do réu, que em juízo, alegou que teria usado uma barra de ferro para agredir as vítimas. O julgamento está marcado para começar às 9h, no Fórum de Araçatuba.
