O Tribunal do Júri de Araçatuba (SP) condenou quatro réus acusados de tentar matar cinco pessoas a tiros, quatro delas da mesma família, crime ocorrido em agosto de 2018, no residencial Atlântico 2. O julgamento aconteceu nesta quarta-feira (10) e os jurados acataram na íntegra a denúncia do Ministério Público, representado pelo promotor de Justiça Adelmo Pinho.
A sentença foi proferida após as 22h30, ou seja, mais de 13 horas depois do início do julgamento, que ocorreu de forma presencial no Fórum de Araçatuba. As penas somadas chegam a 143 anos e meio.
As maiores penas foram para os executores do crime: David Arisson Rodrigues Pedão, Lucas dos Santos Dias e Denilson Aparecido Zatin Miranda, condenados a 37 anos de prisão cada.
Igor Kaique Dibes Alexandrino, acusado de ter levado os demais até à casa das vítimas e de ter dado fuga a eles após os disparos de arma de fogo, foi condenado a 32 anos e 6 meses de cadeia.
Crime
Segundo a denúncia, o alvo dos condenados era um jovem com 23 anos na época, que teria uma desavença não informada com Igor. Naquela manhã o grupo já teria ido atrás dele, que foi embora ao vê-los passando de carro quando estava em um campo de futebol no bairro Vila Alba.
Já no período da noite os quatro chegaram à casa do jovem em um VW Gol conduzido por Lucas, que permaneceu no interior do carro, enquanto os outros três desceram armados.
Segundo a denúncia, o portão basculante estava aberto e eles entraram na casa já atirando contra duas mulheres, um adolescente e um menino com 5 anos na época que estavam na garagem. Teriam sido disparados pelo menos 15 tiros na direção deles e todos tiveram ferimentos.
Correu
O alvo do trio ouviu os disparos e correu, se escondendo atrás da porta do quarto, que também foi perfurada por pelo menos 16 disparos feitos pelos réus, segundo a denúncia.
O jovem foi atingido com um tiro no braço, próximo à axila direita; um adolescente de 13 anos foi ferido no pé direito; o menino com 5 anos foi atingido na região da cintura; uma das mulheres foi baleada no ombro esquerdo; e a outra na região abdominal. Todos precisaram de internação e apenas o alvo dos autores não passou por cirurgia.
Presos
Durante as investigações os acusados foram identificados e presos e a polícia apreendeu duas pistolas calibre 9 milímetros, uma com Lucas e a outra com David. Exame de confronto balístico apontou que a maioria dos projéteis e todos os estojos apreendidos no local dos crimes foram disparados por essas armas.
Além disso, os três réus que invadiram a residência atirando foram reconhecidos pelas vítimas, que alegaram que os capuzes estavam bem abertos nas regiões dos olhos e boca e todos já se conheciam de longa data.
Condenação
Todos os réus foram denunciados por quatro tentativas de homicídio qualificado pelo recurso que dificultou a defesa das vítimas, com agravante de uma das vítimas ser criança na época dos fatos.
Eles foram denunciados por uma quinta tentativa de homicídio, mas essa sem qualificadora, já que o jovem conseguiu se proteger ao perceber a presença dos atiradores e se esconder no quarto.
Condenação
Durante o julgamento os réus tiveram as defesas feitas pelos advogados José Roberto Sanches, Flávio Batistela, Daniel Madeira dos Santos e Dayse Ramos Nery.
O promotor de Justiça pediu a condenação dos réus nos termos da denúncia, enquanto as defesas pediram a absolvição por negativa autoria, a tese de desistência voluntária e a participação de menor importância no crime, no caso de Igor.
Os jurados acataram a denúncia e o juiz Henrique Castilho, que presidiu o júri, determinou o regime fechado para o início do cumprimento da pena.
