Felipe Azevedo Moreira, 27 anos, morador no residencial Beatriz, em Araçatuba (SP), foi condenado pelo Tribunal do Júri na quarta-feira (2), por tentar matar a tiros um pedreiro que havia sido contratado para executar um serviço na casa dele, em 2020.
Ele foi preso em flagrante na época pelo Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia). Com ele foi apreendida uma pistola, munições e drogas, que resultaram na condenação também por esses crimes. Somada, a pena é de 12 anos e 9 meses de prisão, mais 1 ano de detenção. Ele não terá direito de recorrer em liberdade.
O crime aconteceu na tarde de 25 de novembro, em uma residência na rua Agenor Pimentel Fialho, no Ezequiel Barbosa. Policiais militares foram informados sobre disparo de arma de fogo no local e encontraram a vítima ferida na calçada da casa e ela foi levada para a Santa Casa.
Tiros
O morador no imóvel disse à polícia que o pedreiro havia chegado para visitá-lo e em seguida surgiu o autor dos disparos, que estava de capacete com a viseira aberta, acusou a vítima de tê-lo roubado e passou a atirar contra a vítima, mas a munição teria “picotado” .
O pedreiro correu para o banheiro, mas foi seguido pelo atirador. O morador disse que tentou puxar o autor dos disparos pela camiseta para que parasse, mas ele seguiu atirando, vindo a acertar a porta do banheiro e o ombro esquerdo do pedreiro.
Quando a vítima conseguiu correr para os fundos da casa, o morador saiu para avisar os familiares dela e ouviu mais um tiro. Em seguida, o autor deixou o local na garupa de uma moto conduzida por pessoa não identificada. A área foi preservada e três munições calibre 38 foram apreendidas no local.
Identificado
Moreira foi reconhecido pelo pedreiro, que ainda no hospital prestou depoimento para equipe da DH/Deic (Delegacia de Homicídios da Divisão Especializada de Investigações Criminais). Ele contou que recentemente havia sido contratado para assentar pisos na casa do réu e inclusive no mesmo dia havia estado no mesmo no bairro, fazendo outro trabalho.
O pedreiro disse ainda que quando a casa do amigo foi invadida pelo réu, ele se trancou no banheiro, mas o autor forçou a porta e apontou o revólver na direção dele, que tentou desarmá-lo, mas acabou sendo atingida no ombro esquerdo. O pedreiro negou ter furtado algo na casa de Moreira quando prestou serviço para ele.
Preso
Enquanto a ocorrência era registada, equipe do Baep apresentou o réu na delegacia. Ele já era conhecido e foi encontrado em outrea casa dele, no bairro Guanabara. Moreira confessou o crime, disse que havia contratado a vítima para realizar serviços de azulejista e ela teria aproveitado para furtar objetos do imóvel.
Contou ainda que possuía uma arma de fogo em casa, mas não seria a que havia utilizado na tentativa de homicídio. No local a polícia apreendeu uma pistola calibre 380, com a numeração raspada, e municiada com 15 cartuchos intactos.
Também foram apreendidas outras 11 munições do mesmo calibre, 76 pinos com cocaína, um pacote com 1.000 pinos para fracionar o entorpecente, uma balança de precisão, R$ 50,00 em dinheiro e um caderno com anotações de pesos, valores e nomes de pessoas. Na casa também foi apreendida uma moto Honda Titan que o réu disse ter utilizado para ir ao local do crime.
Os policiais também realizaram buscas na casa no residencial Beatriz, onde foi feito o serviço de assentamento de pisos. No local foram apreendidos R$ 1.250,00 em dinheiro, uma porção de pasta-base de cocaína e quatro munições de calibre 22 intactas.
Segundo a polícia, Moreira alegou que havia dispensado em um matagal o revólver que utilizou na tentativa de homicídio. Ele afirmou que cometeu o crime sozinho.
Julgamento
O réu foi denunciado pela tentativa de homicídio qualificado pelo motivo torpe, por tráfico de drogas, posse de arma e posse de munição. A denúncia foi defendida em plenário pelo promotor de Justiça Adelmo Pinho e a defesa de Moreira foi feita pela advogada Ivonete Zugolaro.
O julgamento começou por volta das 13h e terminou após as 22h. Os jurados acataram na íntegra a denúncia e a sentença foi proferida pelo juiz Danilo Brait.
O réu foi condenado a 4 anos, 9 meses e 18 dias de prisão pelo homicídio qualificado tentado; 5 anos de reclusão por tráfico de drogas; 3 anos pela posse da pistola; e mais 1 ano de detenção pela posse da munição.
Somando, são 12 anos e 9 meses de prisão no regime inicial fechado e 1 ano de detenção no regime aberto. O réu aguardava julgamento preso e não poderá apelar da sentença em liberdade. O Ministério Público já adiantou que não pretende recorrer da decisão.
