Justiça

Justiça aceita denúncia contra advogados acusados de envolvimento com o PCC

Segundo o MP-SP, entre novembro de 2018 e setembro de 2020, facção desembolsou R$ 6 milhões para a manutenção da chamada “sintonia dos gravatas”

Da Redação - Hojemais Araçatuba
18/12/20 às 19h23

O juiz Ulisses Augusto Pascolati Junior, da 2ª Vara Especializada em Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores, recebeu a denúncia contra 16 pessoas, incluindo advogados e um policial civil, acusados de organização criminosa, lavagem de dinheiro, receptação, corrupção ativa e corrupção passiva.

A denúncia foi apresentada pelo MP-SP (Minisitério Público de São Paulo) e é referente à Operação Fast Track, deflagrada pelo Gaeco (Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado). A investigação apurou que entre novembro de 2018 e setembro de 2020, a facção desembolsou aproximadamente R$ 6 milhões para a manutenção da chamada “sintonia dos gravatas”.

Os pagamentos eram feitos em dinheiro, em múltiplos depósitos fracionados, a partir de sete agências bancárias da zona leste de São Paulo, com distribuição para todo território nacional.

O fracionaento impedia a identificação dos depositantes e da origem dos recursos. Em mais de 200 depósitos, a facção inseriu dados falsos, indevidamente atribuídos aos depositantes.

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Pagamentos

Ainda de acordo com a denúncia, a facção criminosa usava o dinheiro de atividades ilegais para fazer pagamentos mensais aos advogados. Os profissionais eram contratados pelos assistidos pelo PCC, subordinando-se diretamente a um dos líderes nacionais da facção.

A investigação identificou pagamento de propinas a agentes públicos, transmissão de mensagens por meio de atendimentos em estabelecimentos penitenciários – o que viabilizava a gestão continuada da facção e do tráfico de drogas –, e ameaça e cobranças de dívidas relacionadas aos negócios da organização criminosa.

Os dados coletados na Operação Fast Track serão compartilhados com os grupos especiais de 24 unidades do Ministério Público no País. Os trabalhos se desenvolveram com apoio do Departamento Penitenciário Nacional, do MPDFT, do MPRN, do MPRO e da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

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