Justiça

Justiça nega pedido para soltar hacker de Araçatuba; está preso na Sérvia há 50 dias

Pedido foi feito pela defesa no início deste mês, com base em matéria publicada por uma revista do Rio de Janeiro e compartilhada por alguns sites de Araçatuba e região

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
13/02/23 às 20h25
Patrick está preso na Sérvia desde 23 de dezembro do ano passado (Foto: Reprodução)

O desembargador Bueno de Camargo, da 15ª Câmara de Direito Criminal do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo, negou pedido da defesa do hacker araçatubense Patrick César da Silva Brito, que está preso há mais de 50 dias na Sérvia.

Ele foi denunciado à Justiça por invasão de dispositivos e extorsão contra o prefeito Dilador Borges (PSDB) e a primeira-dama, Deomerce Damasceno, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça de Araçatuba e foi preso pela Interpol, em 23 de dezembro.

O habeas corpus com pedido de liminar pela revogação da prisão foi apresentado pelo advogado Daniel Madeira no dia 29 de novembro, sob argumento de que os crimes investigados não foram praticados mediante violência ou grave ameaça à pessoa e não teria ocorrido prejuízo financeiro às vítimas.

A defesa afirmou ainda que o hacker estaria disposto a continuar colaborando com as investigações e pretendia retornar ao Brasil após a revogação da prisão, para ser ouvido pela prática de outro crime, em outro inquérito policial, mas a prisão preventiva estaria cerceando o direito de ele ser ouvido.

Risco

Ao negar o pedido, em despacho de 5 de dezembro, quando Patrick ainda era considerado foragido da Justiça, o desembargador justificou que a prisão é necessária para evitar a provável reiteração delitiva, ou seja, que ele voltasse a praticar os mesmos crimes.

“Logo, imperioso que se aguarde a chegada das informações e o regular desenvolvimento do processo para que seja possível avaliar com maior profundidade a conveniência e oportunidade do requerimento”, cita o relatório.

A defesa apresentou pedido de revisão da decisão no dia 3 deste mês, tendo como base uma matéria publicada pela revista Piauí, acusando um delegado de polícia de ter “contratado” Patrick para prestar serviços como hacker em investigações. Isso teria ocorrido após ele ser detido e ter confessado os crimes contra o prefeito e a primeira-dama.

Retaliação

O pedido de revisão foi assinado também pelo advogado Flávio Rodrigues da Silva Batistella, com cópia na íntegra da publicação feita pela revista, cujo autor teria entrevistado o réu pouco antes de ele ser preso. A defesa alega que o pedido de prisão preventiva seria uma forma de retaliação da polícia.

Cita ainda que Patrick solicitou asilo na Sérvia sob argumento de que estaria sendo perseguido e teria prestado depoimento para as autoridades sérvias expondo toda a situação. Por fim, a defesa reforçou que possivelmente o hacker estaria sofrendo constrangimento ilegal com a decretação da prisão.

“Diante disto excelências, este impetrante requer uma reanálise do pedido liminar para revogação da prisão preventiva, autorizando o paciente à responder em liberdade tanto no Brasil quanto no exterior (ante alegado risco de vida) e diante da complexidade sejam remetidos os autos novamente à Douta Procuradoria Geral de Justiça”.

Investigação

Na matéria publicada pela revista também consta que Patrick confessou atuar como hacker e que nos últimos anos começou a hackear celulares de políticos. Ele teria contado que invadiu o wi-fi do gabinete de Jair Bolsonaro, quando ele ainda era deputado, e o celular e o Facebook do vice-presidente Hamilton Mourão.

A defesa dele, no pedido de revisão da prisão preventiva, cita que diante da menção contida na entrevista de que Patrick teria praticado invasões informáticas a pedido da polícia, que fossem remetidas cópias da matéria da revista à Corregedoria da Polícia Civil em Araçatuba; ao Senado Federal; e à AGU (Advocacia Geral da União), para tomarem as medidas que entenderem necessárias.

Negado

No despacho feito nesta segunda-feira, no qual nega o pedido da defesa, o desembargador cita apenas: “nada obstante os esforços da Douta Defesa, mantenho a decisão”.

Pedido de extradição segue sendo analisado

A Justiça de Araçatuba ainda aguarda decisão sobre o pedido de extradição do hacker Patrick César da Silva Brito, que está preso na Sérvia desde 23 de dezembro. O Hojemais Araçatuba mandou mensagem à assessoria de imprensa do Itamaraty e foi informado que casos de extradição são de responsabilidade do juízo no qual se origina o processo.

“A tramitação de documentos do processo é competência do Ministério da Justiça e Segurança Pública, autoridade central para a cooperação jurídica internacional. Cabe ao MRE (Ministério das Relações Exteriores) auxiliar o MJSP no encaminhamento da documentação às autoridades estrangeiras competentes, por meio das missões diplomáticas no Exterior”, informou.

Ainda de acordo com o órgão, devido ao direito à privacidade e ao disposto na Lei de Acesso à Informação e no decreto 7.724/2012, informações detalhadas sobre casos em andamento só podem ser repassadas mediante autorização dos envolvidos. “Assim, o MRE não poderá fornecer dados específicos sobre casos individuais” , finaliza a nota.

Prisão

O mandado de prisão preventiva contra Patrick foi cumprido pela Interpol e decretado no processo por invasão de dispositivo eletrônico e extorsão contra o prefeito Dilador Borges e a primeira-dama Deomerce Damasceno. Porém, existem outros inquéritos apurando os mesmos crimes em andamento.

Após identificá-lo como autor dos crimes, em janeiro de 2021, a Polícia Civil solicitou um mandado de busca que foi expedido pela 2ª Vara Criminal. Ao ser ouvido, o réu confessou ter hackeado as contas das redes sociais do prefeito e da primeira-dama para extorqui-los e revelou ter feito o mesmo com uma advogada.

Em depoimento ele se auto intitulou hacker, afirmou que não tinha outra fonte de renda lícita e na casa dele foram apreendidos R$ 10 mil em dinheiro. Após ser ouvido ele foi liberado e o dinheiro foi devolvido dias depois, segundo a polícia, mediante comprovação de que havia sido obtido mediante empréstimo feito pela mãe dele.

O inquérito teve andamento, foi relatado à Justiça e o hacker foi denunciado. Ao representar pela decretação da prisão preventiva, a polícia argumentou que após mudar para a Sérvia, com o inquérito ainda em andamento, Patrick teria continuado cometendo os crimes de invasão de dispositivos e de extorsão contra vítimas no Brasil.

Ao atender o pedido, a Justiça o proibiu de acessar as redes sociais, a internet e aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, medidas que também estariam sendo descumpridas.

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
  27/05/26 às 18h36
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM JUSTIÇA
Franquia:
Araçatuba SP
Franqueado:
Connect Jornalismo Digital LTDA
48.486.487/0001-90
Editor responsável:
Lazaro Silva Júnior MTB 48158
lazaro.junior@ata.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.