Justiça

MP instaura inquérito para investigar contrato da Prefeitura de Birigui com OSS

Objetivo é apurar indícios de improbidade administrativa em contrato já investigado em CP, que apontou irregularidade na contratação

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
03/03/22 às 14h44
Contrato para a gestão do pronto-socorro é o alvo do inquérito no MP (Foto: Divulgação)

A Promotoria de Justiça de Birigui (SP) instaurou inquérito civil para investigar possível improbidade administrativa cometida pelo prefeito Leandro Maffeis (PSL), no contrato para o gerenciamento do pronto-socorro municipal.

Esse mesmo contrato já foi alvo de uma CP (Comissão Processante) na Câmara, que considerou que houve irregularidades e apresentou relatório pela cassação do mandato do prefeito. Entretanto, não obteve os votos necessários para o afastamento do chefe do Executivo.

Ao instaurar o inquérito, Ministério Público justificou que após receber denúncia anônima, solicitou informações à administração municipal, mas os esclarecimentos apresentados não foram considerados suficientes.

Contrato

Um novo ofício foi encaminhado à Prefeitura, que apresentou a cópia do contrato com a OSS (Organização Social de Saúde) BHCL (Beneficência Hospitalar de Cesário Lange), referente a um chamamento público emergencial.

Também foi apresentada cópia do contrato anterior, com a OSS Santa Casa de Misericórdia de Birigui, para execução de serviços complementares no pronto-socorro e na UBS-1 (Unidade Básica de Saúde), no bairro Cidade Jardim.

TCE-SP

O MP aguarda decisão do TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) com relação a dois processos em tramitação, um sobre a prestação das contas da Prefeitura de Birigui e outro referente à análise do contrato de gestão formalizado com a BHCL.

A instauração do inquérito foi assinada em 18 de fevereiro, e publicada em Diário Oficial na semana passada. A Promotoria de Justiça deu prazo de 30 dias para nova consulta no site do TCE-SP para verificar o andamento desses processos.

Prefeitura

A Prefeitura de Birigui foi consultada pela reportagem e infomou que foi comunicada sobre a instauração do inquérito na quarta-feira (23). A partir de então passou a contar o prazo de 15 dias para prestar os devidos esclarecimentos.

Histórico

Na gestão passada, a Prefeitura tinha um contrato com a Santa Casa de Misericórdia de Birigui para gerenciamento do pronto-socorro, no valor mensal de R$ 1.380.000,00. Ao término do mandato o ex-prefeito Cristiano Salmeirão (PTB) fez um aditivo ao contrato, mas no final de janeiro, Maffeis decidiu assumir o pronto-socorro.

Ele contratou emergencialmente o Isma (Instituto São Miguel Arcanjo) para ser responsável pelos plantões médicos e terceirizou os demais serviços. O contrato era por 180 dias.

Contrato emergencial

Menos de um mês antes do término desse prazo foi publicado um chamamento público para contratar uma nova gestora. Porém, como o prazo seria insuficiente para concluir o processo, o município publicou um chamamento emergencial.

A vencedora foi a BHCL, que teria como representante o mesmo advogado que representa o Isma. O valor pago passou para R$ 2,3 milhões mensais. A Câmara recebeu denúncia de irregularidade nesse chamamento, sob argumento de favorecimento à contratada.

Posteriormente, a mesma entidade foi declarada vencedora do chamamento público que estava em andamento. A BHCL é a atual prestadora do serviço, cujo contrato também prevê o pagamento de R$ 2,3 milhões mensais. O contrato é de um ano, podendo ser renovado por até cinco anos.

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