O Triunal do Júri de Araçatuba (SP) se reunirá na próxima quinta-feira (20), para o julgamento de Carlos Augusto Rodrigues do Prado, por participação no assassinato de Nathan Felipe Bernardes Machado, 19 anos, crime ocorrido 4 de fevereiro de 2021, no bairro Aviação. Há informações de que ele atuaria como matador de aluguel.
A vítima foi morta a tiros quando estava de bicicleta pela Travessa das Araras e o Ministério denunciou outras duas pessoas por participação no homicídio. Uma delas é a comerciante Taíse Rodrigues Carvalho, 38 anos, que teria pago R$ 15 mil pelo assassinato do jovem, como forma de vingar a morte do pai dela, o funileiro Olair de Souza Carvalho, 56.
O terceiro réu é João Paulo Nascimento Jacinto, que teria ficado com R$ 5 mil, dos R$ 15 mil pagos a Prado, para participar da execução do crime.
Denúncia
A denúncia inicial feita pelo Ministério Público cita que naquela tarde, Prado conduzia um carro e teria fechado a vítima que seguia de bicicleta, mas não conseguiu atingi-la. Os dois teriam discutido e o réu teria deixado o local, mas havia decidido matar o jovem.
Já no período da noite, ele estava armado com um pistola calibre 380, acompanhado do corréu em um carro, quando novamente viu Nathan de bicicleta e passou a persegui-lo. Ao alcançá-lo, ele teria sacado a arma e feito vários disparos.
Mesmo ferido, o jovem passou a fugir, mas foi acompanhado pelo corréu, que correu a pé atrás dele, que caiu, foi alcançado e executado a tiros. A vítima chegou a ser socorrida e internada, mas não resistiu aos ferimentos.
Arma
Prado foi preso em flagrante em 2 de julho de 2021, ao ser flagrado com R$ 18 mil em dinheiro e uma pistola durante cumprimento a mandado judicial de busca e apreensão. Segundo a denúncia, exame de confronto microbalístico apontou que essa pistola calibre 380 havia sido usada para disparar dois projéteis, uma camisa de projétil e nove estojos encontrados no local do crime.
Ao ser preso, Prado confessou a autoria do crime e em juízo, revelou que havia sido contratado por Taíse para matar Nathan. Ele disse que conhecia o pai dela desde 2002 e seriam muito amigos.
Ainda de acordo com o réu, ao ir ao depósito de bebidas da comerciante, ela teria dito que o jovem havia matado o pai dela, que estaria sendo ameaçada por ele e por isso, ofereceu R$ 15.000,00 para que o matasse Nathan.
O réu contou ainda que recebeu o dinheiro cerca de uma semana antes do homicídio e chamou João Paulo para ajudá-lo, com quem dividiu o dinheiro. Como eles dois não teriam encontrado a vítima, ele recorreu à filha dele, que seria prima de Nathan, para que marcasse um encontro entre eles, sem informar a ela o motivo.
Crime
Prado afirmou ainda que a arma de fogo pertencia e ele. Disse que enquanto estava com João Paulo no carro, teria dito a ele que não tinha coragem de executar Nathan e sugeriu que eles deveriam dar um jeito de expulsar a vítima da cidade.
Contou ainda que a filha dele estava acompanhada da vítima quando ocorreu o assassinato. Na versão dele, ao parar o veículo na frente dos jovens, João Paulo desceu e atirou em Nathan, que correu em direção a uma igreja. O réu disse que encontrou com João Paulo em outro quarteirão, perguntou se ele havia "assustado" a vítima, mas a resposta foi: “missão dada é missão cumprida”.
Para o MP, o crime foi cometido por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. O processo com relação a João Paulo e Taíse foi desmembrado e, por isso, apenas Prado deve ser julgado na sessão marcada para começar às 9h desta quinta-feira.
