A educação profissional e tecnológica abarca a formação de cidadãos reflexivos, dotados de competências (conhecimentos, habilidades e atitudes). Além da educação formal de qualidade, no tripé ensino-pesquisa-extensão, promovida pelas instituições educacionais, as localidades (com seus agentes públicos e privados) também fazem parte do itinerário formativo dos discentes para atuarem na sociedade, desenvolvendo ciência, tecnologia e inovação – C,T&I.
Temas tais como inovação, indústria 4.0, propriedade intelectual, Agenda 2030 (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas – ODS/ONU) entre outros, devem ser discutidos amplamente, com a realização de estudos e projetos voltados às mudanças significativas das localidades, pela união desses três agentes – setor público, setor privado e instituição educacional. Há vários modelos que valorizam suas interações: Triângulo de Sábato, Tríplice Hélice, Sistemas Nacionais de Inovação e Ecossistemas de Inovação.
Para elucidar a importância das interações, vejamos o ranking do Brasil nos temas citados. Em inovação, nosso país está na 64ª classificação, segundo o Índice Global de Inovação – GII 2018. Na indústria 4.0, estamos em 39º lugar, segundo a UNCTAD - ONU. Em propriedade intelectual, pelos dados de 2017, do Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI, em indicação geográfica, existem somente 63 indicações no país.
A ONU estima que mais da metade da população brasileira nunca ouviu falar da Agenda 2030, que possui 17 objetivos e 169 metas sobre temas para a promoção da vida no planeta. Os países que detêm ótimas posições, possuem interações entre seus agentes.
Para dar respostas às diversas necessidades globais/locais, necessitamos de esforços comuns dos agentes, planejamento estratégico, formação e ação. Há um ditado africano que diz “se queres ir longe, vá acompanhado”.
Devemos unir forças para formar capital humano com competências profissionais, tecnológicas e comportamentais, e que atuará nos mais variados segmentos da sociedade. Antes, porém, precisamos formar capital social, que é a capacidade de uma dada localidade de dialogar e de planejar seu futuro.
(Foto: Arquivo pessoal)
Andréia de Alcantara Cerizza, é coordenadora de Pesquisa, Inovação e Pós-graduação e professora no IFSP (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia) campus Birigui. É líder do grupo de pesquisa em Inovação Tecnológica e Territorial – GPITT IFSP/CNPq e coordena o projeto de pesquisa sobre indicação geográfica do Calçado Infantil de Birigui (INOVA IFSP). Atua em pesquisas sobre políticas de CT&I, Arranjos e Sistemas Produtivos e Inovativos e Inovativos Locais - ASPILs, Sustentabilidade e Desenvolvimento Local.