Política

CPI Covid: Deputado diz que Bolsonaro citou envolvimento de Ricardo Barros ao ouvir denúncia de irregularidades

Depois de transcorrida a sessão - já à noite - o deputado disse à senadora Simone Tebet (MDB-MS), que se tratava do líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros.

Victor Faria - HojeMais Maringá
26/06/21 às 09h37
JAIR BOLSONARO AO LADO DE RICARDO BARROS. (REPRODUÇÃO)

Em depoimento prestado para a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid-19, o deputado federal Luiz Miranda (DEM-DF) afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) citou nominalmente seu líder no governo, o deputado maringaense Ricardo Barros (PP-PR).

Segundo relatou o depoente, ao levar a denúncia de irregularidades da Covaxin ao presidente, no dia 20 de março, Bolsonaro disse que se tratava de uma denúncia grave e que iria acionar o Diretor-Geral da PF (Polícia Federal).

"O presidente entendeu a gravidade. Olhando nos meus olhos, ele falou: 'Isso é grave'. Não me recordo do nome do parlamentar, mas ele até citou um nome para mim, dizendo: 'Isso é coisa de fulano'. E falou: 'Vou acionar o diretor-geral da Polícia Federal, porque, de fato, Luis, isso é muito grave", explicou o deputado ainda na tarde de sexta-feira.

Depois de transcorrida a sessão - já à noite - o deputado disse à senadora Simone Tebet (MDB-MS), que se tratava do líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros. A fala ocorreu por volta das 21h45:

"Eu sei o que vai acontecer comigo. A senhora [a senadora Simone Tebet] também sabe que é o Ricardo Barros que o presidente falou", afirmou Luis Miranda. Tebet pressionou e insistiu por uma confirmação: "O senhor confirma?". "Foi o Ricardo Barros que o presidente falou. Foi o Ricardo Barros", ressaltou o deputado do DEM do Distrito Federal.
Da indicação à compra
O irmão do deputado federal, o servidor público de carreira Luiz Ricardo Miranda - que também participou da sessão da CPI - afirmou que o aval pela compra da Covaxin partiu de sua colega Regina Celia Silva Oliveira. 

Segundo o depoimento, a servidora teria autorizado a compra de 300 mil doses do imunizante indiano por US$ 45 milhões. Um requerimento proposto pelo senador Humberto Costa - inclusive - solicita a convocação da servidora para prestar depoimento.

Acontece que, em fevereiro de 2018, quando o líder do governo Bolsonaro na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros, ainda era Ministro da Saúde do então presidente Michel Temer, ele nomeou Regina na "Função Comissionada do Poder Executivo de Assitente Técnica, na Secretaria de Vigilância em Saúde".


O que diz Ricardo Barros
O deputado Ricardo Barros afirmou na noite desta sexta-feira (25) que não participou da negociação da compra das vacinas da Covaxin e que está à disposição para prestar esclarecimentos dos fatos citados pelo deputado Luiz Miranda na sessão da CPI.

"Não participei de nenhuma negociação em relação à compra das vacinas Covaxin. Não sou esse parlamentar citado. A investigação provará isso. Estou à disposição para quaisquer esclarecimentos", disse o deputado.

Barros ressaltou ainda que não indicou a nomeação da servidora Regina Célia para a atual Gestão do Ministério da Saúde, como informou o senador Randolfe Rodrigues. "Não tenho relação com esses fatos", destacou.

A nomeação de Regina por Barros ocorreu em 15 de fevereiro de 2018, quando o atual líder do governo era, ainda, ministro da Saúde, do então presidente Michel Temer. Segundo a assessoria de Barros, não há relação entre os fatos.

Divulgação/Print de Tela
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