O presidente estadual do PMDB, deputado estadual Junior Mochi fugiu da pressão sobre a possível aliança com o PT em Mato Grosso do Sul e jogou a responsabilidade da aliança para as mãos do pré-candidato do partido. Segundo Mochi, o desejo hoje da base é que se tenha candidatura própria. Contudo, isso não significa que o partido vai deixar de ouvir propostas como a de aliança com o PT.
Segundo o deputado, enquanto presidente da legenda ele tem por obrigação ouvir e exteriorizar o que o partido pensa. “Nesse momento 99% do partido é a favor da candidatura própria e é importante deixar bem claro isso”, frisou.
Entretanto, Mochi admitiu que em caso de haver um pedido na executiva nacional, para reproduzir a dobradinha nacional, isso poderá influenciar na decisão. “Claro que se houver um pedido da nacional ele será avaliado. A conjuntura, as condições que serão impostas. Não estamos fechados para as condições que possam ser colocadas pela nacional do PMDB”, afirmou.
Questionado se os cerca de R$ 2 bilhões investidos pela presidente Dilma Roussef em Mato Grosso do Sul - os quais foram injetados no MS Forte 2 - não poderiam sensibilizar o partido para a união das siglas, o presidente da regional concordou que sim.
“Administrativamente fortalece, sensibiliza, vai contribuir para a administração estadual e o governador é a liderança mais importante do PMDB”, afirmou.
Contudo, logo em seguida Mochi voltou atrás para dizer que o incentivo bilionário pode até ter alguma influência, mas o problema é que ao longo do tempo e principalmente nos últimos processos eleitorais, criou-se uma divisão entre o PT e PMDB.
“São raras as exceções nos municípios onde andamos juntos. Pra se ter uma ideia, temos dificuldade até de abrir essa discussão interna no PMDB. Às vezes, quem vivencia o mandato, convive, tem uma relação, pode até concordar, mas esse não é o pensamento da base do partido. Não tem como impor a condição até porque a nível estadual o PT ainda faz oposição ao PMDB”, declarou.
Para o presidente regional, o fato do PT que tem projeto político ao governo do estado, buscar alianças e eventualmente querer reeditar nos estados a aliança nacional, é natural. “Por parte do PT eles têm que buscar, assim como nós”, emendou.
Contudo, quando questionado sobre sua opinião sobre a possibilidade de uma chapa com o pré-candidato do PT, Delcídio Amaral, Mochi jogou a responsabilidade para o escolhido da sigla.
“Uma aliança do PT está nas mãos do Nelsinho ou da Simone. Nós vamos colocar a pré-candidatura e deixar eles discutindo. As conversas com o PT não encerram. O pré-candidato tem a prerrogativa e vai ganhá-la oficialmente do partido, para fazer essa discussão. Claro que o final das alianças vai ser submetido ao diretório, mas a pessoa tem que ter uma liberdade de estar atuando como pré candidato e sentando com todos os partidos, compor o arco de alianças e vim e trazer propostas para as discussões”, finalizou.
Nacional
Uma reunião entre o líder do PMDB, Michel Temer e do PT, Rui Falcão, pontuou que haverá interferências das nacionais nos estados, se for o caso, segundo o pré-candidato ao governo do PT, Delcídio Amaral.
O senador contou que no último encontro do PT, Falcão expôs os problemas entre as siglas nos principais estados, que são Rio de Janeiro onde o senador Lindbergh Farias (PT) encurrala o vice-governador, Luiz Fernando Pezão (PMDB) e no Ceará, onde o PT ameaça o senador Eunício Oliveira. As farpas somente nesses dois poderiam desestabilizar a aliança nacional.
“O Rui falou do PMDB, que esteve com o Temer, mas nós somente ouvimos. Ele foi falando que em alguns estados o PMDB está batendo o pé, e que os apoios podem ser negociados. Mesmo porque fica estranho dois palanques”, disse, se referindo ao apoio confirmado de Puccinelli à reeleição da presidente Dilma Roussef.
O deputado federal Antônio Carlos Biffi (PT) que também esteve na reunião disse ao Midiamax que no fechamento da aliança nacional, a coordenação dos dois partidos vai acabar exercendo alguma tipo de influência nos estados. Ele acredita que a interferência deve atingir mais o PMDB do que o PT em MS.
Para Bifi está claro que o senador Delcídio é um dos governadores eleitos no Brasil e o PT nacional reconhece isso. O deputado afirma que o PT vê chances reais de vitória em Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, no Paraná, São Paulo e no Rio de Janeiro, o que inviabiliza abrir mão para aliados.
Para resolver este problema, o PT aceitaria abrir mão de candidaturas em outros lugares, cedendo espaço para outros partidos. “É nesta conversa que os petistas não descartam o apoio dos peemedebistas em MS”, pontuou Biffi.