A Justiça de Araçatuba (SP) acatou denúncia do Ministério Público contra o empresário Danilo Alvares, de Birigui, que passa a ser réu por tentativa de homicídio qualificado por ter atirado contra o proprietário de uma casa noturna na rua Aguapeí, em Araçatuba, crime ocorrido na madrugada de 26 de janeiro de 2020.
O caso teve grande repercussão na época, pois havia um show musical no estabelecimento, onde havia várias pessoas, quando foram feitos vários disparos, primeiro na parte da frente e depois no interior do prédio.
A denúncia foi apresentada pelo promotor de Justiça Adelmo Pinho, que havia pedido a reconstituição do crime, que foi feita em agosto deste ano.
Nela consta que durante o show, o empresário se desentendeu com um funcionário do bar e foi retirado do prédio por um segurança, com o apoio do dono do estabelecimento. Após ser colocado para fora, ele foi ao veículo dele, uma caminhonete, que estava estacionada nas proximidades e, seguiu até a frente do prédio.
De acordo com a denúncia, ele desceu do veículo armado com uma pistola calibre 380 e fez pelo menos três disparos em direção à fachada, atingindo a porta metálica de entrada. O dono da casa noturna, que estaria na frente do prédio com outras pessoas no momento dos disparos, correu para o interior do bar.
Agressão
Durante a tentativa de fuga, a vítima tropeçou e caiu na recepção. O empresário, que foi atrás dele, e ao vê-lo caído, passou a agredi-lo com chutes, sacou novamente a arma disparou, vindo a atingir a parede. Em seguida ele mirou na vítima, acionou o gatilho, mas a arma teria falhado.
Aproveitando a situação, a esposa do comerciante, que também estava presente, agarrou e levantou o braço do agora réu, que voltou a atirar, vindo a atingir o teto do estabelecimento.
Em seguida ele saiu do prédio e passou a atirar em direção ao bar. Segundo a denúncia, os projéteis atingiram o veículo de uma pessoa que estava no local e os tiros obrigaram outras pessoas presentes a se esconderam. Após os disparos o denunciado entrou na caminhonete e deixou o local.
Lesão
Na ocasião, ainda no hospital, o dono do estabelecimento publicou um vídeo nas redes sociais, no qual contou que autor dos disparos estava bastante alterado e teria arremessado um balde de gelo contra uma das atendentes no balcão onde retira as bebidas> Por isso o levou até à portaria e pediu que fosse retirado.
Na portaria houve uma discussão, ele deixou o local, mas em seguida retornou armado e efetuou os disparos. A vítima disse se assustou na hora dos tiros, caiu sobre o braço e deslocou o ombro.
A reportagem também falou com uma pessoa que estava no estabelecimento no momento dos tiros. Ela contou que seguia para o caixa, na entrada do prédio, quando ouviu um disparo. Quando houve o segundo disparo, ela viu que havia alguém atirando e deitou-se no chão. Ao olhar ao redor, as demais pessoas também estavam deitadas, a banda parou de tocar e os músicos deixaram o palco.
Vídeo
Naquele domingo foi publicado um vídeo nas redes sociais, com 46 segundos de duração, no qual há uma caminhonete branca, com uma mulher ao lado do veículo pedindo para o condutor ir embora. Nesse espaço de tempo são ouvidos oito disparos de arma de fogo na rua.
Não é possível ver o autor dos disparos nas imagens, mas uma voz masculina faz vários xingamentos e diz que vai matar alguém enquanto a caminhonete deixa o local. O advogado do empresário esteve na delegacia no dia seguinte e informou que ele se apresentaria.
Risco
Para o Ministério Público, o homicídio não se consumou por erro de pontaria do denunciado, porque a arma falhou e porque houve intervenção de terceiros, motivando a fuga dele.
O promotor considerou ainda que o réu colocou em perigo outras pessoas que estavam no local ao efetuar diversos disparos com a pistola, tanto na frente como dentro do prédio,
“expondo diversas pessoas a uma situação de probabilidade de dano”.
Com a denúncia sendo aceita, terá início os procedimentos que podem resultar na pronúncia do empresário, determinando o julgamento pelo Tribunal do Júri.
A reportagem não conseguiu o contato da defesa do empresário para ouvi-lo a respeito da denúncia.